a vida. a morte. e tudo mais

Revirando canais na TV, reencontrei um dos meus filmes favoritos, “Uma Prova de Amor”. Apesar do título tosco (vocês já devem ter percebido que eu implico com os títulos em português dos filmes – mas parece ou não parece nome de filme de romance clichê?).

Assisti esse filme logo depois que foi lançado, em 2009. Ele conta a história de uma garota em fase terminal, devido a um câncer, e de sua irmã mais nova. No filme, a irmã mais nova passa a vida inteira doando medula e sangue para irmã, para garantir a sobrevivência dela. E, então, em nova recaída, entra em jogo a doação de um rim. A mais nova, então, entra na justiça contra os pais, para querer emancipação médica e não realizar o transplante. O filme se desenrola a partir da percepção da morte cercando a irmã mais velha, e as diferentes reações de todos ao seu redor.

É engraçado ter assistido esse filme no início da faculdade e assistir agora, a 7 meses, apenas, de me formar. Porque, enquanto assistia, rostos, nomes e histórias me passaram pela cabeça. Pacientes, amigos, familiares. Pessoas ao meu redor. Como já disse aqui, tenho encontros relativamente frequentes com a morte.

Fico pensando que um dos males da humanidade – da juventude, em especial – é ignorar a morte. Não sabemos lidar com ela, temos medo, e então a evitamos. Quando ela nos cerca e ceifa alguém próximo, ficamos sem chão. Quando é alguém jovem, então? Parece-nos tão antinatural! O sofrimento pode ser esmagador.

Nós vivemos como se fôssemos imortais. Trabalhamos como se fôssemos imortais. Fazemos e adiamos planos como se fôssemos imortais. E como se nossa saúde fosse durar para sempre…

Eu tenho apenas 24 anos, mas tenho pensado cada vez mais na morte. E tenho tentado mudar minha visão a respeito disso. Aceitar de forma natural, como realmente é. Observei alguns pacientes aceitando a morte passiva e tranquilamente.

A vida é feita de desapego. Não podemos ser apegados demais a nada, pois tudo nos pode ser tirado: nossa saúde, nossos bens, nossa vida, a vida de pessoas que amamos. A qualquer momento.

As pessoas costumam pensar que tem tudo sob controle. Mas o que tenho visto – apesar de ter o vies de observar uma amostra viciada – é que a vida é muito absurda. Sim! Muito absurda e fora de controle. Um segundo muda tudo: uma bola de sinuca causando um TCE, um tombo, um acidente, uma doença; se meter em uma confusão, nascer negro ou homossexual e ser vítima de violência por isso; envolver-se afetivamente com alguém agressivo. Não se tratam de erros, de deslizes; trata-se de ser humano. Trata-se de como a vida é.

É por isso, também, que as pessoas não conseguem pensar fora da sua caixinha: elas não podem enxergar o significado real da vida, pois não conseguem olhar para a morte. Só se pode compreender a vida encarando a morte e suas implicações.

Não escrevo esse post deprimida, nem nada assim. Pelo contrário. Escrevo tomada de enorme sensação de paz. Pensar na morte como uma possibilidade real a cada segundo muda tudo. Eu não sou especial. Eu sou apenas mais uma pessoa no mundo, e as coisas tem tanta chance de acontecer comigo quanto tem de acontecer com qualquer outro. Poderia ser eu a puérpera na UTI por uma hemorragia; poderia ser eu o jovem de 30 anos com tumor cerebral. Poderia ser eu a vítima de qualquer forma de violência – principalmente considerando que sou mulher. E poderia ser eu a vítima de algum acidente. A vida inteira é um risco…

Mas, entendem? Quantas coisas se tornam supérfluas quando se pensa nisso! Tudo ganha um novo significado. Segundos se tornam valiosos. Decisões futuras nem tanto. Aspirações de carreira e sucesso profissional menos ainda. Tudo se transforma em agora. A maior parte das coisas que nos entristece e aflige, no dia a dia, tornam-se enormes besteiras!

Houve uma época em que eu acreditava que a vida tinha, sim, um propósito definido. Aquela coisa do “sentido da vida”, e que em algum momento eu o descobriria.

Hoje em dia eu acho que ela tem o significado que eu quiser que tenha. O que é muito libertador!

E o significado que quero dar pra minha vida é amor

amor além da vida

Assisti mais uma vez, hoje, esse filme sobre a morte e sobre seres humanos e suas peculiaridades.

Enquanto eu o assistia – alguns anos após tê-lo feito pela primeira vez – pensei, mais uma vez, em como a vida é um exercício constante de desapego. Nada é definitivo. Segurança é uma ilusão.

Como diz Annie, personagem do filme:

“Às vezes, quando você ganha, perde alguma coisa”

Fiquei refletindo, ainda, em como Robin Willians fez filmes diretamente ligados à questão da morte, da depressão e do suicídio. Patch Adams é a história de um homem em depressão que se redescobre. Em “Amor além da vida”, a esposa é uma mulher que cai em grave depressão e, mais tarde, se suicida. Em “O Homem Bicentenário”, o robô quer se tornar humano, e não suporta mais ver as pessoas que ama morrerem e ficar. Ele quer envelhecer e morrer. Em “A Sociedade dos Poetas Mortos”, um dos alunos com os quais ele mais tinha contato se suicida.

Me fez pensar que as pessoas pedem socorro. A seu modo, mas esse tipo de situação não surge do nada.

Depressão é coisa séria. Não é frescura. Quem dera que os preconceitos que cercam a doença se dissipassem, pra parar de atrapalhar o tratamento e a aceitação da doença.

É um preconceito que custa vidas (como tantos preconceitos, na verdade)

Erin Brockovich – “Uma Mulher de Talento”

Mais um filme de nome meio bobo, mas que é ótimo.

Um filme que contém dois elementos que eu curto: ser baseado em fatos reais e ter como protagonista uma mulher – sendo que a história central dessa mulher não está em romance algum, e sim, nos propósitos de vida dela.

Pessoas como ela me fazem acreditar, ainda, que vale mais trabalhar por um propósito, e não pra cumprir rotina e ganhar uma pilha de dinheiro pra gastar. E que “estudo formal” – tipo uma faculdade – não quer dizer absolutamente nada sobre a capacidade cognitiva de alguém.

monster

Apesar do nome meio bobo (“Monster, desejo assassino”), é um ótimo filme.

Conta a história da primeira serial killer de que se teve registro nos EUA. Aileen foi abusada sexualmente enquanto criança (por volta dos 8 anos de idade), por um amigo do pai; e, não bastassem os abusos constantes, o pai a surrava, culpando-a pelos abusos. Os mesmo perpetuaram até a adolescência. Acabou por se tornar prostituta.

No meio disso, conhece Selby, que se torna sua namorada. As duas moravam juntas num quarto de hotel.

Acontece que, certa vez, Aileen é estuprada e agredida por um cliente. Mata-o para se salvar. Depois disso, ela tenta abandonar a prostituição e arrumar outro emprego – obviamente não consegue, pois não tinha instrução ou formação e trabalhara como prostituta desde os 13 anos. Obrigada a voltar às ruas, Aileen passa a assassinar clientes até ser identificada e presa. Foi condenada à morte.

 

E é isso que quero dizer quando falo que “justiça” é uma ilusão. Não existe isso de justiça. Estamos todos tentando sobreviver.

Aileen poderia ter se tornado alguém totalmente diferente caso as circunstâncias na qual viveu também fossem. Dizer que “todos tem chance”, “basta acreditar nos seus sonhos e trabalhar duro por eles”… Tudo muito fácil. Pra nós, que tivemos chances.

 

(Nada a ver com o objetivo do post e fugindo das reflexões que fiz ao longo do filme, mas indispensável dizer: Charlize Theron está fantástica neste papel. É incrível.)

do destino

Eu não sei se cada um de nós tem um destino… Ou se só flutuamos sem rumo como numa brisa. Mas eu acho que talvez sejam os dois. Eu acho que as duas coisas acontecem ao mesmo tempo.

 

Assisti Forest Gump, ontem. É um filme lindíssimo (pois é… não, eu ainda não tinha visto)!

O que eu acho, Forest, é que você tem razão.

das estrelas

– Algumas dessas estrelas já pararam de brilhar há muito tempo. Você sabia disso?

O garotinho fez que não.

– Elas estão mortas?

– Sim… Estão mortas.

– E como a gente sabe quais estão mortas?

– É impossível. Não dá pra saber.

Os dois olham para cima.

– É um belo mistério, não é?

 

(Diálogo do filme “O Impossível”)

into the wild II

– … E sei como é importante na vida não necessariamente ser forte, mas sentir-se forte. Para testar-se ao menos uma vez. Para passar pelo menos uma vez pela mais antiga das condições humanas. Enfrentando desafios sozinho.

Um daqueles que te faz questionar por que diabos você age como se estivesse simplesmente seguindo a manada em direção ao matadouro. E por que não começa a questionar as coisas e o modo como lhe impuseram que seria uma “vida ideal”. Quem foi que disse que, pra ser feliz, você tem de seguir aquele roteiro: se formar – casar – ter filhos – ter dinheiro e sucesso – aposentar-se confortavelmente – morrer? E se você não quiser se formar? E se você não quiser ter uma carreira, um emprego fixo, uma ilusão de segurança? E se você não quiser se casar? E se você não quiser filhos?

E que tal se você jogasse fora todos os conceitos do que te fizeram acreditar que é a felicidade, e começasse a construir a sua sobre as suas experiências e as coisas que você acredita que funcionam pra você?