do culto ecumênico

Hoje foi o culto ecumênico. Foi lindo… Realmente mais do que eu esperava. Primeiro, estar com meu Grupão maravilhoso, do qual morro de saudades antecipadas. Segundo, por estar com minha família linda, que se despencou pra cá numa quinta a noite. Incluindo minha bisavó, de 94 anos (quase 95). Ela estava felicíssima.

A cerimônia foi tocante. Alguns de meus trechos favoritos da bíblia (1º Corintos 13 e a parábola do bom samaritano, de Lucas) foram os principais. Eu gosto quando a essência da coisa é ressaltada…. Às vezes, na rotina das igrejas, ela parece ser apenas um detalhe (!). Mas foi o centro de tudo hoje, o centro da mensagem, e foi lindo. As músicas foram lindas. Os músicos foram incríveis (quase pensei que não era ao vivo, que era gravação).

Houveram momentos realmente inesquecíveis – como o de erguer as mãos, em sinal de serem nosso instrumento de trabalho, para receber sob elas a benção do padre (eu sou luterana, não católica, mas foi lindo mesmo assim). Ou depositar no altar uma rosa branca, como símbolo de agradecimento pelos nossos entes queridos. E aí tocou “amigos para sempre” e nossa turma se abraçou ao redor do altar sem combinar nada – uma dupla começou, o abraço foi se espalhando e pouco depois estávamos todos abraçados. Olhei para o lado e uma amiga tinha os olhos marejados. Os meus também estavam.

Por fim, tiramos fotos, antes de deixar a igreja. E aí, eu dei o braço à minha bisavó e a ajudei a caminhar da igreja até o carro, devagarinho, conversando. Ela me falou sobre a igreja em São Paulo na qual ela foi crismada, que não era tão grande nem tão bonita quanto essa…! Falou sobre o quanto estava feliz de, aos 94 anos, conhecer uma cidade nova e uma igreja nova e pessoas novas.

(pois nunca é tarde para conhecer…)

E amanhã tem mais. Amanhã tem o dia mais importante da minha vida até aqui: caminharei até o meu diploma e o terei em mãos. E comemorarei com as pessoas que mais amo junto de mim.

Não há nada no mundo que possa pagar esse momento.

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as últimas (ou as primeiras?) reflexões

Hoje é o dia pelo qual eu esperei cerca de 8 anos (desde que comecei a sonhar com medicina).

Eu não fui daquelas que quis medicina desde criança. Na verdade, nunca tinha nem mesmo me passado pela cabeça fazer medicina, até o terceirão. Eu passei a infância inteira querendo fazer veterinária. Já sabia até a faculdade.

Aí veio o ensino médio, aquela fase cheia de dúvidas. E eu já não sabia o que queria da minha vida, não sabia mais no que eu era boa, pelo que eu poderia me apaixonar… Não queria fazer “uma coisa qualquer”: queria fazer AQUELA coisa, para a qual eu nasci.

E, não sabendo que isso não existe ( e que é tudo uma questão de escolhas) eu me torturava quanto a fazer “a escolha certa”.

Fiz curso técnico em análises clínicas e, tendo concluído, estagiei num laboratório que ficava dentro de uma maternidade. Eu comecei dentro do laboratório, mesmo; e aos poucos fui pegando mão para coletar sangue. Com o tempo, eu fui liberada para fazer as “rondas” – que era quando o técnico saia do laboratório e ia coletar sangue pelo hospital.

Foi aí que eu descobri o que fazia o tempo voar, meu coração pulsar e um sorriso aparecer facilmente no meu rosto.

Eu caminhava pelos corredores, pedia licença às pacientes, me apresentava, conversava, explicava… E tentava fazer tudo isso da forma mais amorosa possível. O retorno veio: elogiavam minha “mão levinha” e meu cuidado. Não era nenhum esforço para mim. Na verdade, eu apenas não conseguiria fazer diferente.

Certa feita, um amigo, ouvindo de mim relatos do trabalho no laboratório, comentou “Você deveria fazer medicina. Seria uma médica foda”. E eu, que já vinha reparando nos médicos que via no hospital, comecei a deixar essa sementinha chamada “medicina” crescer no meu coração…

Uma noite, enquanto passava pelo pré-parto, eu vi uma médica ajudando uma paciente, em trabalho de parto, a caminhar até a sala. Ela dizia “você vai conhecer o seu bebê!” e segurava sua mão. A cena me marcou… E, mais do que me marcar, fez nascer em mim o seguinte pensamento:

“É isso aí que eu quero fazer. Cuidar das pessoas”.

Acontece que eu tinha medo de duas coisas:

1) Achava que não tinha capacidade para ser médica;

2) Tinha medo de “não ter vida”.

Sentia necessidade de conversar com um médico sobre isso. E, não tendo nenhum médico dentre família e amigos, marquei uma consulta com o médico com o qual eu mais tinha vínculo: meu pediatra.

Lá estava eu, 17 anos na cara, sentada na sala de espera do pediatra. Ele riu quando entrei e expliquei a razão de ter vindo. E aí, ele começou a me falar sobre medicina. Sobre como foi pra ele… Sobre como tudo tinha seu tempo, e como realmente era difícil conciliar uma vida pessoal, porém possível.

Foi nesse dia aí. Eu saí do consultório e fui direto para o cursinho. Chegando lá, anunciei para os colegas:

– Decidi. Quero medicina.

O problema, agora, era passar no vestibular… Eu não achava que conseguiria, então formulava “planos B”: fono, enfermagem… Eu não conseguia considerar muito que iria passar.

Só que aconteceu. A vida tem dessas surpresas, desses caminhos que a gente não entende direito e não consegue acreditar. Eu passei. Eu concluí o curso. Eu estou me tornando médica.

Eu, que achava que não conseguiria “ver alguém todo aberto na minha frente”. Eu, que jamais conseguiria passar no vestibular – imagina, tão concorrido. Eu, que tinha medo de “não ter vida”.

E tive os seis anos de vida mais intensos de todos!

E, hoje a noite, minha família vai chegar para comemorar tudo isso comigo ao longo de três dias maravilhosos.

Eu nunca estive tão feliz!

sim, é verdade!

Começa amanhã! A tão esperada saga formatura… Começa amanhã, dia 16 de julho de 2015!

E terá início com o culto ecumênico, ao qual minha família virá. Vai ser rapidinho, vai ser de leve, vai ser o dia “menos intenso”… É o aquecimento. Mas é isso. É amanhã que começam os dias que, há 6 anos, eu ao mesmo tempo esperava tanto e achava que jamais chegariam.

(estou surpreendente calma, depois de semanas pirando de ansiedade… vai entender)

ACABOU!

Ontem foi meu último dia de faculdade.

Um dia de estágio normal… Mas o último. Despedi-me do professor e dos colegas com lágrimas nos olhos.

Passei a tarde resolvendo coisas para formatura: indo buscar o vestido que tinha ficado na costureira, caçando um sapato preto em cujo salto eu pudesse me equilibrar e com o qual eu conseguisse caminhar (detesto saltos), enfim.

A noite, em casa, finalmente parei e pensei sobre o que estava acontecendo.

Passei 6 anos inteirinhos vivendo quase que exclusivamente para esta faculdade. A faculdade foi minha principal ocupação, tomou meu tempo, virou o alvo de minha paixão, foi minha rotina. E agora… Acabou.

Eu não vou voltar amanhã! Não vou continuar tendo uma vida acadêmica! Não terei prova daqui a pouco, nem terei nota de conceito pelo meu rendimento no estágio.

E agora, José?

Como vai ser a vida agora?

Não sei… E não tenho como saber. Ela vai virar de pernas pro ar. É isso.

Não soube explicar, ontem, o que estava sentindo. Hoje, tenho ensaio da formatura. Continuo não conseguindo explicar que sentimento é esse que me deixa tão emotiva.

Não estou triste. Não estou com medo.

É mais uma mistura de… Saudade antecipada… Incredulidade… Saudosismo… E aquela coisa que a gente sente quando passou por muita coisa, sabe? E aí o ciclo se fecha. Aquela coisa que a gente sente quando vê uma vida nova se descortinar pra gente.

Esse processo, que é gradual para a maioria das pessoas (ganhar salário, trabalhar progressivamente mais e ganhar aumentos progressivos, ir adquirindo responsabilidades) acontece com a gente de um dia para o outro. Num dia, estudante; no dia seguinte, médica. Num dia, tendo uma rotina acadêmica e sob a responsabilidade de preceptores. No outro, tendo uma rotina de trabalho, com toda a responsabilidade de um CRM. Num dia, ganhando mesada dos pais, geralmente limitada; no outro, com um salário na conta.

É realmente difícil dar um nome para esse sentimento de completa transformação.

A única coisa que consigo pensar é: estou emocionada. Emocionadíssima. E animada! E pronta pra viver cada segundo desses momentos e mastigar cada sentimento que me percorrer nos próximos dias.