aí ela me disse…(IV)

– Paula, quero que você pense numa coisa ao longo dessa semana. Isso que você me contou demonstra uma dinâmica sua. De reagir sempre de acordo com o desejo do outro, para atingir as expectativas do outro. O que eu quero que você preste atenção é: o que você quer? O que você sente?

A pergunta que devolvi a ela foi envolvida numa espécie de súplica:

– Mas… Eu não sei. Acho que isso de certa forma se tornou um hábito tão forte, é algo tão automático, que eu não sei direito…

Eu sorriu docemente:

– Que você não sabe o que você quer? Mas está aí. Você só tem de aprender a ler os sinais. Eles estão aí…

Mais tarde, contando da sessão para o Nikolas, ele comentou comigo que, ao que parece, todos os meus problemas e minhas questões terminam nisso. Giram em torno disso. Concordei. Acho até que minha dificuldade em aceitar meus erros se deve a isso: o que me causa dor é não atender às expectativas das outras pessoas. E o que me gratifica enquanto ser humano é atender expectativas das outras pessoas.

Quando eu não faço o que as pessoas esperam, quando não as surpreendo positivamente, quando não faço o suficiente por elas… eu sofro. E sinto que falhei. Que não sou suficiente. Que sou uma péssima pessoa. Que sou egoísta.

Que não sou suficiente…

Anúncios

da friendzone

“Friendzone”: termo inventado por homens com dor de cotovelo para culpar e demonizar mulheres que não quiseram se relacionar romanticamente com eles.

 

Quando é o oposto, ou seja, um cara “rejeitando” a mulher e eles continuarem se relacionamento como amigos, ela é que é a trouxa que não percebe que ele não quer nada com ela. Agora homem ser rejeitado, não pode! Aí a mulher é que é uma megera, colocou o pobre coitado na friendzone, coração de pedra, etc.

Coisa engraçada isso, né?

Homens, parem que tá feio! Vamos aprender a lidar com rejeição de forma mais madura, tá bem? Ninguém é obrigada.

o relacionamento

Toda gratidão do universo por você existir na minha vida. Todos os seus detalhes e peculiaridades me apaixonam. A sua capacidade de me surpreender o tempo todo me encanta. A nossa facilidade em funcionar faz bem pra minha autoestima, me faz te admirar cada vez mais e faz a vida parecer mais leve… E ainda tem as pessoas que conheci por sua causa. Quanta gente linda, meu deus!

SIM!

Dezenas de nãos depois, sexta passada, eu ouvi um sim! Fui contratada como médica de ESF em uma Unidade Básica de Saúde. Foi uma correria de burocracias; documentos, abertura de conta, ir para um lado e para outro. E a euforia! E a ansiedade!

Hoje foi meu primeiro dia de trabalho. Estava ansiosa ontem a noite… E estava um pouco nervosa hoje de manhã. Quanto chamei o primeiro paciente  (Seu Antonio! Duvido que um dia vá esquecer esse nome), sentia tremer por dentro, mas me esforcei para transparecer calma.

Expliquei para todos os pacientes, hoje, que sou a médica nova da Unidade, que ainda estou me adaptando e que talvez eu tenha de tirar dúvidas com a equipe ou me atrapalhe em alguma coisa. Nenhum deles se chateou com isso! Todos sorriam e disseram que claro, é normal ficar meio perdida no começo.

Foi um dia lindo, lindo. Ainda não abriram agenda pra mim; então, o volume de atendimentos foi pequeno (atendi só acolhimentos). Mas é indescritível a sensação de estar ali, atuando, realizando o sonho de ser médica (agora sim!). Só ouvi coisas bonitas: “tomara que você fique, que você é maravilhosa!”; “Deus te abençoe, doutora!”; e um deles, depois de eu dizer que queria vê-lo em breve: “que ótimo! vai ser um prazer!”.

A população estava sem médico a tempos, e parece ter uma enorme carência por atenção nesse sentido. Fiz tão pouquinho, e senti tanta gratidão.

E, felizmente, meu medo de não ser boa o suficiente está começando a diminuir. A facilidade em me relacionar eu já sabia que tinha. Quanto à parte técnica… Saber tudo, ninguém jamais saberá; mas quem se importa vai atrás, estuda e aprende. Como eu fiz hoje. Eu me importo. Me importo muito!

Acho, sinceramente, que hoje foi um dos dias mais felizes da minha vida.

ai ele disse… [2]

relações onde há muita culpa não podem ser saudáveis

(foi triste ouvir isso, a princípio. é tipo tacar sal e limão nas minhas feridas. mas, depois, foi também meio reconfortante, de uma forma engraçada. primeiro que é bom saber que não sou culpada ou má pessoa por não querer mais nutrir a culpa nas relações que me culpavam excessivamente (????!!!!)… na verdade, é um sinal de crescimento emocional que eu tenha mudado isso. segundo que estou me recuperando cada vez mais, cada vez mais forte, dos sentimentos excessivos de culpa, de modo que isso já não me atinge como atingiria antigamente. estou reeditando essa história de um modo positivo. nutrindo relações saudáveis. crescendo em relacionamentos lindos, sinceros e emocionalmente edificantes. usando o sal e o limão pra fazer caipirinha!)