da adoção, mais uma vez

A história era a seguinte: a mulher tinha alguma deficiência mental e algum distúrbio psiquiátrico (ninguém sabia muito bem). Ela, às vezes, desaparecia, e a família a reencontrava tempos depois. Numa dessas reapareceu grávida. Logo descobriu-se que o genitor era um morador de rua com o qual ela vivera por um tempo, e que era HIV positivo. A família conseguiu “segurar” a mulher em casa e ela fez o pré-natal; todas as sorologias foram negativas, tanto ao longo da gestação quanto após o nascimento da criança.

Meses após o nascimento da criança, a mulher some novamente e quem assume a guarda do lactente é a irmã dela. A tia se tornou mãe.

Não demora para que ele interne por uma pneumonia, o pediatra peça uma sorologia e – adivinhem só? – HIV positivo. Tratada a pneumonia, iniciam-se os antirretrovirais e a criança vai se desenvolvendo, a seu modo.

Mas por uma infelicidade do destino,  a criança, ao longo do crescimento, acaba fazendo resistência a todos os antirretrovirais que poderia tomar.

Esse garotinho chega ao hospital, agora com 12 anos, com história de convulsões frequentes na última semana e com o relato da mãe de que havia parado de deambular e se comunicar como antes. Encefalite por toxoplasmose é a principal suspeita.

“Essa criança poderia estar num abrigo”, eu pensei.

Mas não estava, e foi isso que me me chamou a maior atenção na história toda:

A mãe o embalava e sussurrava em seu ouvido, dizendo que descansasse, que ficasse tranquilo. A pediatra pergunta:

– Você tem mais filhos?

– Não.. Nem teria como!

– Bom… Nem esse você escolheu, né?

Mas eu não afirmaria com tanta certeza. Por que, pelo sorriso que ela deu e pelo olhar amoroso que dirigiaa à criança, eu acho que ela escolheu, sim. Escolheu ficar com a criança e criá-la. Visivelmente a ama e aposto que é feliz por tê-la em sua vida. Adoção é isso.

Como me deixa triste a insensibilidade das pessoas para com as mães adotivas! Filhos não são suplício (não deveriam ser, ao menos). Só por que uma parte das pessoas encara uma criança doente como um fardo e não adotaria um filho sob essas condições, não quer dizer que não existam pessoas capazes disso. Pessoas reais, normais, como a gente. A única diferença é que elas abriram um pouquinho mais a mente e o coração delas, enfrentaram esse monte de preconceitos idiotas que jogam em cima da gente, e… Acreditaram.

Adoção

 

 

Eu sou apaixonada por esse assunto. A entrada desse assunto no meu dia-a-dia provocou mudanças profundas na minha forma de ver a vida e as pessoas. A adoção me transformou numa pessoa diferente; me ensinou a amar melhor. E toda vez que me deparo com essas histórias, eu fico emocionada.

Por essas que eu acho que vale a pena acreditar nas pessoas…

 

da minha revolta

Lendo notícias.
“Filho adotivo ativa em pai.”
E lá vem a Paula com discurso. Do quanto adjetivar isso é desnecessário, blablabla. A resposta: “Ah, você tá exagerando”.
Ok então. Que tal agora:
“Filho por parto normal atira em pai.”
Ou:
“Filho cesariano atira em pai”.
Nas frases acima, quão relevante você acredita que seja adjetivar o filho em questão? Então utilize os mesmos critérios com a primeira frase citada. Obrigada!