sobre quando as coisas desandam

Eu já sabia que esse problema iria aparecer.

Tenho problemas para lidar com meus erros. Costumo achar (não é assim tão consciente e óbvio, é apenas minha forma de funcionar) que preciso: acertar sempre; agir com maturidade sempre; ser compreensiva com as pessoas sempre; enfim. Tenho de fazer “a coisa certa” sempre.

Assim, eu sabia que, depois de formada, enfrentaria um período de crise em função de cometer erros com meus pacientes. Já que não há como não cometer erros, especialmente sendo recém formada e inexperiente.

Só não previ que a crise viria tão cedo.

Fui para Porto Alegre fazer um curso de ACLS (Advanced Cardiovascular Life Support) esse final de semana. Foi tudo cansativo: sai do trabalho na sexta direto para a viagem; cheguei no hotel passando da uma da manhã; o quarto do hotel dava para uma rua cheia de baladas, e o barulho não me deixou dormir; acordei 05h40min, depois de quase não dormir, para um curso no qual cheguei às 07h30min e sai após as 19h.

Mas, de qualquer forma, eu estava acompanhando tudo e aproveitando o curso.

Acontece que o curso tem uma série e provas – duas provas práticas menores, uma prova teórica e, por fim, uma grande prova prática que reúne todo o conhecimento construído ao longo do curso. Reprovei nessa prova, apesar de saber cada etapa de cor. Me atrapalhei. Não consegui recuperar. Acontece, né? Mas… Não é bem assim que as coisas funcionam na minha cabeça. Não poderia me atrapalhar. Não poderia reprovar. Não poderia ter cometido erros.

O episódio me fez entrar numa crise profunda comigo mesma. Abalou minha confiança como médica e me fez questionar minha capacidade de exercer a profissão com competência. Trouxe uma avalanche de problemas que eu vinha tentando esconder. Uma avalanche que me pegou desprevenida, cansada e emocionalmente vulnerável. Imediatamente me dei conta de que não consigo mais resolver sozinha uma porção dessas coisas.

Foi dada a largada: voltarei para a terapia. Dessa vez, pelo menos, com meu próprio dinheiro. E dessa vez, também, numa abordagem mais profunda que a que fiz na outra vez (a cognitivo comportamental). E tô achando que não saio de lá tão cedo: só paro a hora que tiver revirado e resolvido esse monte de coisas.

Pois é preciso ser emocionalmente madura e estável para ser uma boa médica. É preciso estar bem para poder cuidar dos outros. E é preciso lidar com os problemas e as coisas da vida para me tornar uma pessoa melhor. E estou vivendo um período muito intenso e cheio de mudanças.

Eu preciso de ajuda. Não há problema nenhum em precisar de ajuda.

deprimida

De repente, me bateu uma depressão.

Queria que ser compreendida não fosse um esforço tão enorme

Queria que esse monstro que mora dentro de mim e aflora em algumas situações não existisse

Queria estar mais em paz com minha situação atual

Queria que ser compreendida não fosse um esforço tão enorme

explodi

como sempre costuma acontecer nesses casos, um evento desagradável desencadeou outros eventos desagradáveis, e desestabilizou a coisa toda. depois de uma semana segurando um monte de coisas, foram abertas as portas do desespero, da irritação, da raiva, das merda tudo

agora fodeu: quero ver fechar

engraçado eu nunca ter a quem recorrer quando esse tipo de sentimento me toma conta.

quem dera eu fosse apenas OUVIDA uma hora dessas… sem palpites. sem sugestões. sem conselhos. sem “ai, mas fazer o que, né?”. queria que, um dia desses, alguém simplesmente me ouvisse e tentasse entender a razão de eu me sentir de determinada forma. e demonstrasse interesse em me entender, não em me fazer mudar de opinião/sentimento pra que ela possa parar de ouvir. é isso: que alguém demonstrasse interesse pelo que eu sinto, e não desconforto por ter de me ouvir. nem que ela não dissesse nada em seguida. quem sabe eu precisasse menos desse blog pra desabafos chatos, nesse dia.

quem me dera…

enfim. mais um rompante. vou é correr, pra transformar a raiva em energia…

(desculpem os palavrões. tô num momento “adoraria que o mundo explodisse em um milhão de pedacinhos”)