as semanas tem sido completamente diferentes umas das outras

a semana passada foi de aguentar

o final de semana + feriado foi de esquecer

e essa semana é de organizar

que semana que vem vai mudar tudo, de novo…

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pois é preciso colocar as coisas outra vez nos eixos

Já estou correndo atrás da terapia. Conversando com profissionais, pedindo indicações. Amanhã devo ter, já, algumas indicações mais precisas.

Amanhã, também, vou cortar meu cabelo. Coisa boba? Pode parecer, mas será a primeira vez em semanas que tirarei um tempo para fazer algo para mim que eu queria muito fazer. Só pra mim. Me esticarei na cadeira e pensarei unicamente em quão legal meu cabelo vai ficar e na felicidade que esse tipo de mudança me trás (enjoo rápido da minha cara). Não pensarei em nenhuma grande questão da vida, universo, medicina e tudo mais.

O próximo final de semana, esse que terá um feriado, servirá unicamente para descansar e resolver coisas legais, que me deixam animada.

É preciso voltar a ser feliz. Minha cabeça continua uma completa bagunça, mas ficando parada é que não vou me resolver

atualização sobre a minha vida

Não sei bem, ainda:

  • onde estou morando
  • o que vou fazer da vida num futuro próximo (tipo, amanhã, ou nos próximos dias);
  • onde vou morar num futuro próximo
  • quando vou ter um salário (menos ainda quanto vai entrar na minha conta nos próximos dias)
  • se vou ser médica ou vender minha arte na praia

O que eu sei:

  • tenho, ainda, uma lista aparentemente infinita de burocracias a resolver!

sensível

Tenho andado muito sensível, estas últimas semanas. Tenho diversas razões para isso, na verdade…

Amanhã entrego meu TCC para a pré-banca. Sexta o apresento para a mesma.

Em um mês o apresento de verdade.

Em dois meses, me formo.

Minha vida vai virar de pernas pro ar: não sei onde vou morar, o que vou estar fazendo, onde vou trabalhar, que novos projetos terei. É, ao mesmo tempo, empolgante e assustador.

Minha cabeça está num turbilhão. Está chegando o momento tão esperado de realizar meu sonho. E estou mais apaixonada do que nunca e mais emocionalmente envolvida do que nunca na minha profissão. Sei muito bem o tipo de médica que quero ser e tenho me empenhado pra isso. Mas as coisas não tem sido fáceis…

Eu sei que a reta final não é fácil nunca. Se não foi fácil até aqui, eu não esperava que fosse ficar.

Mas são tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo! Tanto exterior quanto interiormente…

a dor que a insensibilidade me causa

Eu não fiz medicina para assistir ao sofrimento das pessoas sem fazer nada.

O meu problema não é apenas ver pessoas sofrendo todos os dias.

Não que isso seja fácil, obviamente; mas eu me preparei – e me preparo todos os dias – para isso. Eu li sobre o assunto, falei sobre ele na terapia, conversei com diversas pessoas, fiz e ainda faço, rotineiramente, exaustivas autoanálises sobre minhas reações a ele e à minha forma de lidar com tudo isso. Sofrimento é algo que existe, estou disposta a conviver com ele e tenho trabalhado muito minha maturidade emocional para aceitar sua existência e suas condições. Sem negações, sem resistências – mas também sem conformismo. E a aceitação de toda essa realidade me tem feito muito bem.

Agora, o que eu não consigo, não aceito e não conseguirei nunca me sentir confortável, é com o fato de a vida acadêmica não me permitir exercer o cuidado que eu gostaria. Não conseguirei nunca não me entristecer ao observar os profissionais mais diversos, ao meu redor, e mesmo os meus professores, agirem de forma insensível e muitas vezes até grosseira com os pacientes. Ignorarem, zombarem, destratarem, atenderem de má vontade.

Eu não vou me acostumar.

E tenho estado sensível, por esses dias, muito sensível; depois de ter repentinamente me dado conta de ter, muitas vezes, compactuado e participado disso.

Chorei de arrependimento e culpa. Não era pra ser assim. Não foi pra isso que entrei nessa faculdade. Não foi com isso que eu sonhei.

E não é esse tipo de profissional que vou ser.

angústia

coração apertado. talvez eu não seja tão boa assim em lidar com isso quanto pensei que estivesse ficando…

e nem mesmo sei por onde começar a mudar.

como melhorar? não encontro caminho.

perco o sono. sinto-me, subitamente, muito sozinha.

não entendo: como é que me dói tanto?!

só queria que, num passe de mágica, fosse preenchida de toda paciência e tranquilidade para com tudo isso.

(o problema é que isso não vai acontecer, é claro)

ah, dos males de ser tão imediatista…

queria a leveza desse céu cinza

(esse é um texto de devaneios. não se surpreenda se parecer que não tem o menor sentido)

O mundo desaba pela janela – chove insistentemente e o céu é cinza.

O mundo desaba aqui também – chovo insistentemente por dentro. Repenso coisas que já vinha dizendo a mim mesma e que, talvez, seja momento de reforçar. Ao que parece, algumas fragilidades estarão sempre por aqui. Alguns velhos (e maus) hábitos podem reaparecer, surpreendentemente fortes, em momentos críticos. Mas chega disso: preciso jogá-los definitivamente no lixo. Será preciso um tanto a mais de coragem e autoconfiança. Será necessário, porém.

Mais do que finais ou começos de anos, o início das férias (dessas férias mais do que nunca) é uma oportunidade de recomeço. Preciso reformular algumas coisas. Não minhas prioridades; essas, já tenho definidas e tem seu espaço. Mas o modo de vivê-las. Como viver é tão importante quanto o que.

Meu lembrete constante dos períodos emocionalmente instáveis (o herpes labial, maldito) eclodiu com força assustadora. Dói, lateja, incomoda (como algumas coisas dentro de mim…). Tomou parte do meu lábio superior. As pessoas olham, quando conversam comigo. Acho que não dá pra evitar: tá grande.

– De novo?

– Pela oitava vez esse ano. Bati o recorde.

Alguns antigos diziam que é resultado de “febre no estômago”.

Uma febre no âmago, quem sabe? De carregar uma espécie de vírus, insistente, silencioso. Ele me faz guardar… Esconder numa gaveta, num cantinho do inconsciente… Até que eu não caibo mais em  mim. E o que há de ruim guardado vira em bolhinhas no meu lábio superior.

Guardei tanto, esse ano!

Foi um ano tão importante, esse. E como toda coisa muito importante, não foi nada fácil.

Redesenhei o que quero da minha vida, esse ano. E o que não quero, principalmente.

Não quero mais essas angústias. Essa tanta gente ao meu redor… todas agitadas, todas correndo… A vida passa por elas, deixando não mais que um rastro. O tempo corre, impiedoso. Pra onde será que estão indo? Será que sabem mesmo o que estão fazendo? Quando questiono, muitas parecem muito certas; mas nota-se o vacilo numa fuga de olhar. Talvez não tenham tanta certeza quanto gostam de admitir.

Não quero mais o estresse orgulhoso e desenfreado. A correria sem propósito. Não quero mais “não tenho tempo”, que tempo é uma preciosidade para ser administrada com cuidado e amor. Tempo é algo a se investir.

Não quero preocupações com coisas que não constroem. Não quero pensar no que pensam os outros.

Eu quero meu coração na direção contrária: o meu alento está em encontrar um lugar cheio de amor, serenidade e paz. E eu vou. E ninguém há de me impedir de ser feliz, leve… Livre. Sempre. Que este lugar está dentro de mim

turbilhão

Às vezes as coisas vão acontecendo e te carregando, te engolindo, te sugando pro meio do caos todo. E essa foi a minha semana. A coisa, que vinha se acumulando perigosamente dentro de mim, finalmente explodiu onde não devia, hoje.

Mas a verdade é que eu não queria chegar nesse ponto, de explodir, de não conseguir controlar minha raiva. Queria descarregar alguns pesos no caminho; mas parecem tão firmemente amarrados às minhas costas que nem mesmo encontro o nó, quanto mais o desato. Tenho tido, repetidamente, pensamentos negativos, que danificam minha autoestima e minha vontade.

Eu só queria ser mais livre. Mas não sei nem por onde começar.

Eu não sei se devo pensar melhor a respeito ou parar de pensar tanto, se devo me ocupar ou parar de fazer trinta coisas ao mesmo tempo, se devo me concentrar mais ou me distrair um pouco da vida… Não sei. Queria fazer uma reforma emocional em mim mesma, mas não sei como.

 

Não consigo sozinha. Mas não sei bem nem a que recorrer.

Ai, vida… Pra que tão difícil?