da angústia de hoje

Ai, essas convenções que aprisionam…

Ai, essas coisas que os seres humanos inventam pra inflar o ego! Pra ser centro, pra ser notado, pra se sentir especial…

Se você olhar atentamente para as convenções, verá que elas são algo próximo de uma trapaça. Isso: trata-se de as pessoas quererem trapacear a vida, para que ela não lhes pregue as peças que prega em todo mundo. Baseiam-se numa ilusão: de que tudo será eternamente perfeito dali em diante, sem explicação racional alguma…

Mas não vai ser. E a vida não vai te poupar. É assim que ela é.

Então que tal a gente encarar tudo de maneira menos artificial, menos expositiva… E mais sincera?

tenho pensado muito e não vejo motivo nenhum nisso tudo

tristeza

As pessoas me deixam muito triste, às vezes (muitas vezes).

São hipócritas, preconceituosas, julgadoras, machistas, homofóbicas, racistas… Pior de tudo é que não se dão conta da dimensão desses problemas. Na maioria das vezes, nem mesmo se enxergam como tal. E aí fico inconformada, enraivecida, porque esse tipo de postura faz muita, muuuuita gente sofrer.

Essa falta de empatia é algo que me irrita muito, mas infelizmente é assim que as pessoas são e é assim que o mundo é.

Tenho notado o quanto esse comportamento, essa falta de amor, não apenas é frequente dentro da igreja, como também as pessoas usam a igreja como um escudo para sua frieza. Elas pisam todos os finais de semana dentro de um prédio e pensam que, por isso, são seres superiores, intocados.

Pisam na igreja, mas ridicularizam e desejam o sofrimento de homossexuais. Abrem suas Bíblias em público, orgulhosamente, mas erguem a voz e as mãos contra mulheres – de seu convívio e de fora dele. Dizem-se cristão, falam de moral e ética, mas apoiam a agressão, a violência, todo tipo de coisa ruim que resulta do preconceito.

Jamais farei parte disso e jamais aceitarei isso calada. Enquanto viver, serei a chata a rebater qualquer atitude semelhante a essas.

O que me consola é que há gente cheia de sensibilidade e amor. Ainda há. E algumas delas estão muito perto de mim, e isso torna meus dias mais felizes. É por elas que vivo. É por elas que não desisto!

as três fases do (meu?) entendimento

1) A ignorância:

Na ignorância, você não percebe uma porção de coisas sobre o mundo ao seu redor. Quase todo mundo vive essa fase em algum momento da vida, nem que seja ao longo da infância. Há quem diga que “a ignorância é uma benção”, já que muitos ignorantes vivem num estado de contentamento leve e bobo. Como não percebem que a vida é uma bosta, pensam que a vida é linda. Tocam suas vidas sem sair da bolha, fazem comentários vazios e sem embasamento, não conseguem enxergar a um palmo de distância deles mesmos. A ignorância resulta do egocentrismo, afinal, quando o que importa é o mundo ao meu redor, eu não saio do lugar pra procurar por mais. Se me contento com o que tenho, pouco importa o resto.

Mas, calma, isso não é uma crítica. Como disse, todo ser humano vive sua fase de narcisismo, nem que seja na infância. E, claro, há pessoas com acesso realmente limitado à informação, e que não vive na ignorância por egoísmo.

 

2) A indignação:

Em algum momento da vida, você se dá conta de dois fatos que mudam tudo:

– Existe mais no mundo do que o que você conheceu até o momento;

– A vida não está tão boa assim pra você, que foi colocado numa caixinha apertada cheia de expectativas; e muito menos está para pessoas que tem ainda menos recursos que os que você tem.

Triste fase. Quando começa a conhecer o mundo, é impossível não ficar muito indignado e muito puto. Quando conhece situações sociais precárias, quando começa a estudar os movimentos políticos, quando começa a estudar história por interesse, e não por te obrigarem na escola (e com senso crítico, aliás), quando começa a lidar com movimentos sociais (feminismo, movimento LGBT, por exemplo), e as vendas que te colocam nos nossos olhos desde sempre começam a cair… Dá raiva do que te fizeram. Dá raiva de não ter compreendido antes. Dá raiva, também, de quem continua oprimindo, julgando, vivendo dentro da caixinha. Você se dá conta de que muita gente vive na ignorância, e que a ignorância dos seres humanos faz com que mutuamente se prejudiquem, firam, e que julguem uns aos outros injustamente.

Você se dá conta de que, se o mundo é uma bosta, em grande parte ele é uma bosta por causa da ignorância das pessoas que vivem nele.

É uma fase triste, essa. Você também se sente sozinho em suas causas, já que ninguém mais parece se importar. Você ensaia gritar e se revoltar, você discorda do que todo mundo diz, fica irritado com o senso comum e os argumentos vazios… Mas, infelizmente, na maior parte das vezes você não será entendido ou mesmo levado à sério. Sendo mulher, corre-se ainda o risco de ser chamada de pitizenta, mimimi ou “feminazi” (isso aí – comparam a importância que você dá aos seus iguais e o seu amor a uma causa ao nazismo).

 

3) O lúdico:

Com o tempo, você se conforma. Compreende que, infelizmente, as pessoas não são mesmo ensinadas a raciocinar. Não se pode culpá-las inteiramente por isso. Embora ainda se irrite vez ou outra, que ninguém tem sangue de barata, e embora continue a se manifestar, muitos dos comentários ignorantes que antes te irritavam tornam-se bastante lúdicos. Você ri, que é o que tem. Também começa a aprender quando vale a pena entrar numa discussão e quando não.

Já habituado aos comentários a seu respeito (pois, se você realmente viveu a coisa toda, a essa altura já foi tachado de chato por uma porção de gente) você deixa de perder tempo se preocupando com o que vão pensar de você – e continua investindo seu tempo em viver ativamente e a cada momento sua militância. Até porque, agora, também já entendeu que simplesmente não importa. Seu pessoal passa a ser o seu político. O que importa é que você se sinta livre.

Você percebe que consegue mudar algo da realidade ao seu redor. Que algumas pessoas também compreendem, também passam a se sentir livres, também vivem o processo todo – e essa é uma sensação ótima, a de transformar.

E, nessa linda fase lúdica, você cresce e se sente ainda mais livre. Pois somente a informação liberta. Você compreende que tem um universo de possibilidades. Você aprende a pensar fora da caixinha. Você se torna sedento por conhecer, ler, entender, estudar. Agora, pensar de forma crítica e buscar informações confiáveis antes de julgar torna-se quase um hábito. Você aprende sobre paciência, tolerância e amor. Você se torna muitíssimo aberto a novas opiniões, especialmente quando nota que são bem embasadas. Discussões construtivas, reflexivas e não agressivas se tornam um grande prazer.

 

Você descobre um novo jeito de ser feliz e de ver leveza na vida. Você passa a discordar de quem diz que a ignorância é uma benção – ainda que os entenda…

O mundo é grande e é fascinante!

das observações

Algumas pessoas, parece-me às vezes, nunca estão satisfeitas com nada.

Nunca tem: dinheiro suficiente, roupas suficientes, tempo suficiente, amigos suficientes, namorados ou maridos suficientes, ou namoradas e esposas suficientes; corpos suficientes, cabelos suficientes, maquiagens suficientes, adereços suficientes, belezas suficientes; sono suficiente, diversão suficiente, felicidade suficiente, privilégios suficientes, celulares suficientes, computadores suficientes, casas ou apartamentos suficientes, carros suficientes. Passam a vida a reclamar. Não se passam 10 minutos sem que reclamem de alguma coisa.

Essas pessoas são, em sua maioria, de classe média a alta, tem bens materiais em quantidades perfeitamente adequadas para a sobrevivência com qualidade, são saudáveis, tem pessoas que as apoiam e uma perspectiva de futuro. Elas mal conseguem olhar para o lado, onde há gente com tanto, mas tanto menos que elas que  nem se pode comparar.

 

A verdade é que, embora elas não vejam isso, apenas UMA coisa lhes falta: gratidão.

sobre cafés e o que somos

Não é minha intenção discutir hoje, aqui, as indústrias da informação e do entretenimento (que já são uma só, o que empobrece a todos).  (…)

… na lógica fria da contabilidade de espectadores-curtidas-acessos, se falam disso é por que isso nos interessa, né? E, se é isso que nos interessa, o que nos tornamos? Por que tão embrutecidos?

(*)
O cheiro de café na sala me remeteu à casa de minha avó onde, em tempos idos, aquecia-se a xícara com água quente antes de servir o café. Hoje em dia, parece que qualquer água suja e morna em copo plástico tá valendo. Onde foi parar essa delicadeza? Por que tão embrutecidos?
BloGessinger. Sempre genial. Impossível não concordar: da falta de sensibilidade da indústria da informação ao café mal feito em copo de plástico, a pergunta que nos resta é só essa mesmo. No que foi que nos tornamos…
Recuso-me a seguir assim. Mesmo que seja difícil, vou tentar nadar contra a maré, até o último.

a indignação

Ele estava muito indignado por que sentia-se como se tivesse sido “jogado” ali. Queria sair logo, ver a (ex?) mulher e os filhos. Na verdade, eu pouco posso fazer por ele pois, além de ser mera estagiária, do modo como ele está – postura agressiva, fala acelerada e tangencial, ameaçador e manipulador – ele dificilmente sairá em breve.

Mas o fato é que fui obrigada a olhar para ele e dizer “eu compreendo o senhor”. No lugar dele quem não se sentiria “jogado” ali? Quem  não sente saudade da família? Quem não se preocupa com o emprego que ficou pra trás e com os filhos? E nesse momento o olhar dele mudou (por pouco tempo, é claro; logo tornou a repetir os mesmos pedidos e ameaças).

Realmente compreendo. Só que a minha compreensão não muda nada (ainda), infelizmente.

E é assim que a vida é. Enquanto eu não posso fazer alguma coisa (esse dia vai chegar, ah, se vai).

da ignorância e como ela me irrita

“Por mais que as feministas tentem
negar, há muitas evidências de que elas idealizam a condição masculina. Essa
idealização pode ser sintetizada no seguinte argumento: “Eles são felizes e nós não!”
No discurso das feministas, a igualdade consiste num tipo de negação do feminino,
pois elas acham que o conceito de feminino é uma construção machista. O que elas
chamam de “desconstrução da heteronormatividade” é a destruição de paradigmas
que separam os sexos. Sem esses paradigmas, as feministas ficam livres pra tirar dos
homens o monopólio da masculinidade. Assim, elas feminilizam os homens e
masculinizam as mulheres!
Contudo, a ideia que as feministas possuem do masculino é a ideia mais exagerada
possível. O masculino para elas é dominância e poder. Portanto, as feministas não
invejam todos os homens, mas apenas os homens dominantes, poderosos.
Se vocês lerem os artigos escritos pelas feministas, perceberão que a questão da
dominação aparece o tempo inteiro. A ideia de que os homens dominam, controlam as
mulheres, é sedutora para as feministas.”

Sedutora? Que? HIUHSAEIUHSAEUISEHIUSAHSAEIUASEHUAISE gente do céu, que monte de lixo ignorante é capaz de passar pela cabeça de uma pessoa.

(desculpem. ando meio intolerante com comentários machistas)

Queridinho, não “idealizamos”  a condição masculina por que achamos que os homens são mais felizes. Nós lutamos por direitos básicos, previstos inclusive na Declaração dos Direitos Humanos, tão básica que ela é. Não estamos tentando “masculinizar as mulheres” e nem mesmo “feminilizar os homens”. Estamos tentando que as pessoas possam ser como bem entenderem e ainda serem respeitadas por isso(oi, Declaração dos Direitos Humanos). Apenas chegou-se à conclusão de que uma mulher não precisa ser condenada à dupla jornada de trabalho fora-e-dentro-de-casa só por ser mulher, e sim que as tarefas domésticas devem ser compartilhadas por ambos os sexos, de modo que não faz sentido você obrigar a menininha a brincar só com panelinhas, ferrinhos de passar roupa e casinhas. Se ela quiser, tudo bem. Mas ela também pode brincar de carrinho, se quiser. E o menino que quiser brincar de casinha, pode também – sem ser rechaçado por isso.

Agora, não sei de que “discurso das feministas” em que há “negação do feminino” você está falando, mas dentre as que eu leio, muitas gostam de sapatos, roupas, maquiagens e coisas “consideradas femininas”. Apenas tem a visão de que as pessoas não são obrigadas a gostar de coisas “consideradas femininas” para serem mulheres. Eu odeio, detesto sapatos de salto alto. Prefiro allstar ou sapatilhas. Também não tenho gosto por usar maquiagem (às vezes dá vontade, mas é raro). Mas adoro vestidos. Entende? É uma questão de gosto, não de gênero.

Hm.

da psiquiatra

Estou fazendo estágio e resolvi dar uma estudada em alguns assuntos que surgiram nas conversas com o psiquiatra que acompanhei hoje.  Há algumas síndromes raras, porém interessantes, e ele mencionou alguns nomes. Fui fuçando e fuçando, já que tenho enorme interesse pela área (interesse = paixão). Numa dessas entro num site desconhecido e lá está: no nome está escrito a palavra “medo”, o layout trás imagens assustadoras, essas coisas. Abaixo, a descrição da Síndrome de Cotard. Nesta, o paciente acredita estar morto; pode, mesmo, sentir o cheiro de putrefação do próprio corpo, sentir vermes ou afirmar que não possui mais órgãos.

Ok. O assunto não é muito agradável e tudo o mais. É, sim, um pouco assustador alguém afirmar com certeza que está morto, parar de comer, de se higienizar, essas coisas (mortos, afinal de contas, não comem).

Mas há duas coisas que questiono: até quando se vai perpetuar o conceito de que as doenças mentais são assustadoras? De que é preciso ter medo, se proteger e manter distância de pessoas que sofrem de doenças psiquiátricas? Até quando médicos de pronto-socorros por aí afora continuarão se recusando a atender pacientes, afirmando não ter capacidade de realizar o manejo?

Claro que a psiquiatria possui casos peculiares. Claro que há com frequência pacientes de difícil manejo. Mas ainda são seres humanos.

Por que mais assustador do que tudo isso é ser um ser humano que está doente, com um problema grave, e ser rejeitado pela sociedade. Sofrer e estar sozinho é mais assustador.

tragédia em santa maria

Muito me surpreende a capacidade que temos de culpabilizar as vítimas. Li no G1 diversos comentários nada sensíveis a respeito da tragédia em Santa Maria dizendo que “é isso que acontece com quem vai pra muquifo”, “vai pra balada dá nisso, tem mais é que morrer mesmo”, etc. É isso mesmo, gente? Será que não percebem que, enquanto culparem quem é vítima, estão protegendo o verdadeiro culpado de pagar pela merda que fez? Claro, pois é muito mais fácil culpar quem não pode mais se manifestar do que ir atrás de quem pode mudar a situação. Oras…