sobre recuperar as forças

Cheguei em casa exausta. Cruzei com o Seu Sofrimento, novamente, e ele sempre me suga as energias e deixa minha mente inquieta, angustiada.

Mas tenho de estudar. E tinha de dar um jeito de me sentir bem o suficiente para o estudo render.

Tomei um banho quente, imaginando que, junto com a água, iam pelo ralo as tensões do dia.

Fiz café. Comi uns sanduíches assistindo alguma bobagem superficial na TV.

Meditei durante 5 minutos. Relaxei cada músculo do meu corpo, respirei calma e profundamente, senti aquela coisinha gostosa que acontece quando medito – parece que cada átomo meu vibra, produz um calorzinho reconfortante, um bem estar…

Abri os olhos me sentindo nova.

Enchi a xícara de café, cantarolando a primeira coisa que me veio na cabeça.

Abri o material de estudo, cantarolando outra coisa que me veio na cabeça.

Escrevi esse texto, cantarolando uma terceira coisa.

Hora de começar.

Here we go again!

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tcc

A análise do conteúdo pode ser definida como um conjunto de instrumentos metodológicos que se presta a analisar diferentes fontes de conteúdo. Quanto a interpretação, a análise de conteúdo transita entre dois polos: o rigor da objetividade e a fecundidade da subjetividade. É uma técnica refinada, que exige do pesquisador, disciplina, dedicação, paciência e tempo. Faz-se necessário também, certo grau de intuição, imaginação e criatividade, sobretudo na definição das categorias de análise. Jamais esquecendo, do rigor e da ética, que são fatores essenciais (FREITAS, CUNHA, & MOSCAROLA, 1997).

essazora da vida e o tcc quer me exigir paciência e tempo… hahahahaha

vou usar da intuição e imaginação, que não me faltam, pra inventar paciência e tempo onde não tem

calma

Acalmei.

Eu tenho um milhão de motivos para ficar ansiosa e angustiada. De verdade. A vida será intensa e agitada, nesses próximos dias. Como já vem sendo.

Mas:

o vento está balançando a cortina, janela adentro, e bagunçando minhas folhas;

o sol, agora mais suave do fim de tarde, está desenhando sombras na parede do quarto; um bando de passarinhos invadiu uma árvore próxima daqui e todos cantam ao mesmo tempo, entusiasmados;

minha xícara de café está cheia;

minha mãe me fez sushi e trouxe pra eu comer no quarto, enquanto estudava;

e a pessoa que amo está feliz.

Sendo assim, fechei os olhos, respirei fundo e acalmei minha mente. Uma coisa de cada vez.

E, sendo assim, continuo estudando, tranquila e serena…

o processo silencioso do adoecimento

Ao negar a dor do outro, o profissional da saúde não apenas nega a dor do seu semelhante, como também a própria condição humana, pois dentre as virtudes humanas, uma das que mais nos diferencia de outras espécies é justamente aquela que nos capacita a compreender e a apreender a dor do outro naqueles momentos em que a fragilidade humana deveria evocar outra virtude humana: a fraternidade.

Do livro “Psicossomática e suas interfaces”

Humanizar é preciso! Não apenas nós, profissionais de saúde (embora a gente tenha motivos especiais pra isso). Mas a humanização deveria ser um processo ensinado a todos, desde que somos pequenininhos.

Aprender a lidar com a própria condição de humanidade – e suas limitações – pra poder olhar para os outros tendo todos como seus semelhantes

(em tudo o que aprendo, tenho visto amor)

ando pensando…

Tem sido dias muito reflexivos. Estes últimos meses tem modificado muitas coisas que já foram, para mim, verdades inabaláveis. Sinto aquela vontadezinha de mudança e percebo que ela ocorre. A dúvida toma conta de mim, e isso me deixa muito satisfeita. Pois dúvida gera curiosidade, que gera vontade de conhecer, estudar e entender; e o conhecimento e a informação tem a belíssima capacidade de transformar as pessoas e o mundo. Acredito eu, para melhor. Tenho tudo isso como muito saudável. Estou aberta, receptiva. Deixando a minha caixinha para trás, cada vez mais longe. Sentindo que o amadurecimento é um processo – tranquilo, calmo, sereno e constante… 

sensível

 

Estou sensível. Surgiu aquela vontade de me enrolar num cobertor, sentar num cantinho e chorar, bem quietinha. Não por que estou profundamente triste nem nada assim; só pra colocar alguma coisa parar fora. Por que parece que, ultimamente, eu só absorvo. Tenho tentado ser esponja de tudo, segurar tudo com serenidade e tranquilidade (é o que sempre tento). A última noite, voltei a sonhar com pacientes. Seus rostos e histórias povoaram minha noite e acordei agitada, perguntando-me sobre qual fora o destino de cada um deles. Levantei e segui meu dia, conhecendo outra porção de rostos novos, e também encontrei um monte de colegas ansiosos e falando de provas, decorebas e questões. E aí, nessas horas, eu só preciso que alguma coisa vá pra fora, que é pra liberar um espaço, pois que me sinto tão apertada…

“não sei nada”

É o que repetimos continuamente, nós, estudantes de medicina (ao menos os estudantes com os quais eu convivo).

Há que se colocar que nós vivemos estudando, de uma forma geral temos muita vontade de aprender e valorizamos muito o aprendizado. Quando descrevemos um bom médico, dizemos “O Fulano é ótimo, ele sabe muito!”.

 

Ainda assim, às vésperas de qualquer prova, depois de muito estudar, o que mais se ouve e fala é isso: “não sei nada”.

Pudera: é tanta coisa pra entender, pra decorar, pra lembrar – que continuamente me sinto perdida no meio dos meus resumos escritos à mão, canetas, marca-textos e pensamentos… E tenho certeza de que não sou só eu!

É por isso que, quando digo, não digo da boca pra boca. Digo com sincero gosto de frustração: “estudei um horror – e parece que não sei nada!”.

 

E quer saber a verdade? A verdade é que não sei mesmo. E, quanto mais estudo, mais cresce o universo da minha ignorância. Sinal de que? Sinal de que estou aprendendo, fico aqui pensando comigo agora.

Portanto, de hoje em diante, eu troco o disco. Toda vez que me sentir tentada a ceder ao convite da frustração e desabafar o negativo “não sei nada”, vou é pensar comigo “essa sensação de que estou sabendo menos só pode ser por que estou desbravando espaços maiores!”.

canetas

Há dois fatores: uso muito canetas e perco muito canetas.

Uso muito por que uma das razões da existência da medicina é o preenchimento de papéis inúteis e/ou confusos que ninguém jamais lerá, por que ao estudar faço muitos resumos à mão (gravo melhor) e, por fim, escrevo por lazer, passatempo ou necessidade em cadernos e folhas diversos que carrego em bolsos variados.

Portanto, adoro canetas, mas elas são um bem escasso na minha vida.

Caminho pelo hospital, preencho um papel e perco uma na bancada. Faço plantão no PS, no meio de alguma corrida largo em cima da mesa de um consultório e jamais reencontro. Ou elas acabam (já acabei com incontáveis canetas desde o início da faculdade).

 

Hoje, depois depois de semanas de necessidade, finalmente consegui sair do ambulatório em horário comercial e encontrar uma papelaria aberta. Tem uma na frente de casa, mas quando saio ainda está fechada e quando volto já fechou.

Escolhi a caneta de minha preferência (azul, esferográfica, simples, ponta fina), ao custo de 1,50 a unidade. Segue diálogo com a vendedora:

– Olá. Vou levar dessas. Aceitam cartão?

– Bom, até aceitamos, mas só acima de 10 reais…

– Aham. Vou levar sete.

– Canetas?!

– Isso.

 

A vendedora fixou o olhar em mim por alguns segundos – talvez pensando “vai revender” – e aí pegou o cartão da minha mão e realizou a operação.

Saí faceira pela rua, sentindo-me extremamente feliz em ter um estoque de canetas.

Quanta coisa tola faz feliz, né?