amor além da vida

Assisti mais uma vez, hoje, esse filme sobre a morte e sobre seres humanos e suas peculiaridades.

Enquanto eu o assistia – alguns anos após tê-lo feito pela primeira vez – pensei, mais uma vez, em como a vida é um exercício constante de desapego. Nada é definitivo. Segurança é uma ilusão.

Como diz Annie, personagem do filme:

“Às vezes, quando você ganha, perde alguma coisa”

Fiquei refletindo, ainda, em como Robin Willians fez filmes diretamente ligados à questão da morte, da depressão e do suicídio. Patch Adams é a história de um homem em depressão que se redescobre. Em “Amor além da vida”, a esposa é uma mulher que cai em grave depressão e, mais tarde, se suicida. Em “O Homem Bicentenário”, o robô quer se tornar humano, e não suporta mais ver as pessoas que ama morrerem e ficar. Ele quer envelhecer e morrer. Em “A Sociedade dos Poetas Mortos”, um dos alunos com os quais ele mais tinha contato se suicida.

Me fez pensar que as pessoas pedem socorro. A seu modo, mas esse tipo de situação não surge do nada.

Depressão é coisa séria. Não é frescura. Quem dera que os preconceitos que cercam a doença se dissipassem, pra parar de atrapalhar o tratamento e a aceitação da doença.

É um preconceito que custa vidas (como tantos preconceitos, na verdade)

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Erin Brockovich – “Uma Mulher de Talento”

Mais um filme de nome meio bobo, mas que é ótimo.

Um filme que contém dois elementos que eu curto: ser baseado em fatos reais e ter como protagonista uma mulher – sendo que a história central dessa mulher não está em romance algum, e sim, nos propósitos de vida dela.

Pessoas como ela me fazem acreditar, ainda, que vale mais trabalhar por um propósito, e não pra cumprir rotina e ganhar uma pilha de dinheiro pra gastar. E que “estudo formal” – tipo uma faculdade – não quer dizer absolutamente nada sobre a capacidade cognitiva de alguém.

monster

Apesar do nome meio bobo (“Monster, desejo assassino”), é um ótimo filme.

Conta a história da primeira serial killer de que se teve registro nos EUA. Aileen foi abusada sexualmente enquanto criança (por volta dos 8 anos de idade), por um amigo do pai; e, não bastassem os abusos constantes, o pai a surrava, culpando-a pelos abusos. Os mesmo perpetuaram até a adolescência. Acabou por se tornar prostituta.

No meio disso, conhece Selby, que se torna sua namorada. As duas moravam juntas num quarto de hotel.

Acontece que, certa vez, Aileen é estuprada e agredida por um cliente. Mata-o para se salvar. Depois disso, ela tenta abandonar a prostituição e arrumar outro emprego – obviamente não consegue, pois não tinha instrução ou formação e trabalhara como prostituta desde os 13 anos. Obrigada a voltar às ruas, Aileen passa a assassinar clientes até ser identificada e presa. Foi condenada à morte.

 

E é isso que quero dizer quando falo que “justiça” é uma ilusão. Não existe isso de justiça. Estamos todos tentando sobreviver.

Aileen poderia ter se tornado alguém totalmente diferente caso as circunstâncias na qual viveu também fossem. Dizer que “todos tem chance”, “basta acreditar nos seus sonhos e trabalhar duro por eles”… Tudo muito fácil. Pra nós, que tivemos chances.

 

(Nada a ver com o objetivo do post e fugindo das reflexões que fiz ao longo do filme, mas indispensável dizer: Charlize Theron está fantástica neste papel. É incrível.)

das estrelas

– Algumas dessas estrelas já pararam de brilhar há muito tempo. Você sabia disso?

O garotinho fez que não.

– Elas estão mortas?

– Sim… Estão mortas.

– E como a gente sabe quais estão mortas?

– É impossível. Não dá pra saber.

Os dois olham para cima.

– É um belo mistério, não é?

 

(Diálogo do filme “O Impossível”)

into the wild II

– … E sei como é importante na vida não necessariamente ser forte, mas sentir-se forte. Para testar-se ao menos uma vez. Para passar pelo menos uma vez pela mais antiga das condições humanas. Enfrentando desafios sozinho.

Um daqueles que te faz questionar por que diabos você age como se estivesse simplesmente seguindo a manada em direção ao matadouro. E por que não começa a questionar as coisas e o modo como lhe impuseram que seria uma “vida ideal”. Quem foi que disse que, pra ser feliz, você tem de seguir aquele roteiro: se formar – casar – ter filhos – ter dinheiro e sucesso – aposentar-se confortavelmente – morrer? E se você não quiser se formar? E se você não quiser ter uma carreira, um emprego fixo, uma ilusão de segurança? E se você não quiser se casar? E se você não quiser filhos?

E que tal se você jogasse fora todos os conceitos do que te fizeram acreditar que é a felicidade, e começasse a construir a sua sobre as suas experiências e as coisas que você acredita que funcionam pra você?

o palhaço

Esse é pra quem acha que o Brasil não produz nada de bom. Há tempos não ficava tão encantada com a fotografia dum filme. Ela participa até do humor ao longo da história e a cada cena me fisgava.

A história é linda e me emocionei em diversas partes da mesma, apesar de alguns acontecimentos serem um pouco previsíveis e até meio clichês. Mas isso, em minha opinião, não atrapalha o desfecho tão bonito. Palmas para Selton Mello, ator principal e diretor. Sou fã.

“O gato bebe leite, o rato come queijo, e eu… Sou um Palhaço!”

Ai, que lindeza de cena!

Duas cenas favoritas: ele voltando para o circo carregando o ventilador e o final, com o aparecimento da pequenina Guilhermina.

Afinal, tem como não amar um filme que termina com riso de criança?