do otimismo

Existem várias formas diferentes de encarar os mesmo fatos.

Por exemplo: suponha que você estivesse perdido na selva, e começa a chover. Você poderia pensar “ah, não, que merda! já não bastasse estar perdido na selva, agora também estou encharcado”. Ou poderia exclamar: “eba! pelo menos tenho água!”.

Acontece na um pouco absurda e hipotética situação acima, e acontece na vida real o tempo inteiro. Estive pensando sobre o que, nas pessoas, faz com que essas reações mudem. O que nos torna otimistas? O que nos faz ultrapassar qualquer obstáculo sorrindo?

Eu não acho que seja uma coisa só. Acredito que seja um conjunto, tanto de fatores intrínsecos, da personalidade, quanto de fatores externos e do momento da vida. É normal, por exemplo, que alguém que perdeu um ente querido passe algum tempo sem perspectivas, sem esperanças e pessimista. Estranho seria se não fosse assim.

Mas não é só isso. Há quem seja pessimista com relação à vida e seus percalços quase todo tempo. E também há quem passe por períodos de pessimismo e falta de perspectivas. Aconteceu comigo, nas duas últimas semanas. Simplesmente desacreditei das pessoas.

Mas saí a caminhar, num fim de tarde desses, pensando sobre o assunto. O sol, que já ia perto do horizonte, passava por entre os prédios, morno, iluminando a areia e o mar. E o mar estava calmo e azul. Pensei no quanto é lindo o lugar onde moro e em como minha vida é excelente. Quando é que me pego desanimada? E quando, e por que me sinto tão motivada e tenho tantos planos e ideias que os outros consideram mirabolantes, mas eu considero completamente possíveis e viáveis?

É preciso acreditar para ser otimista. É preciso ter fé em alguma coisa. Não digo fé no sentido religioso da coisa. Mas, para ser otimista, é preciso acreditar em algo que você ainda não pode provar que vai dar certo.

É preciso acreditar nos seres humanos para ser otimista com relação ao futuro.

É preciso acreditar em outra pessoa, nos sentimentos de outra pessoa, para ser otimista com relação a um relacionamento.

É preciso acreditar numa causa para ter fé em qualquer luta.

É preciso acreditar… Só tendo fé em algo se pode acreditar que as coisas vão ser melhores. Porque, vamos combinar, não tá fácil. O mundo não tá nada fácil.

E para acreditar, é preciso o que? Bem: paixão. Não é fácil confiar numa pessoa, nem numa causa – mas o fazemos, quando somos apaixonados. De forma automática. E se a paixão é algo assim meio incerto, meio arriscado, claro que também o é o otimismo. E, se não há paixão sem sofrimento (não é difícil constatar) também não há otimismo sem decepção.

Mas, quer saber? Eu pago o preço…

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