pequena (grande) constatação

tenho sido a cada dia mais e mais feliz, completa e realizada com a minha vida

quanto mais feliz, completa e realizada tenho sido com a minha vida…

menos tenho me importado com a opinião dos outros a respeito dela.

e longe de isso me tornar egoísta ou me afastar das pessoas!

na verdade…

isso tem me feito sentir cada vez menos: rancor, raiva, impaciência, etc.

e cada vez mais: gratidão, amor, paz, plenitude, etc.

(conclusão: eu me preocupava demais pensando que “nunca era suficiente para os outros”, que os outros “sempre esperavam o pior de mim”, e coisas semelhantes, mas… a verdade é que eu dava valor demais à opinião alheia pela insegurança que causava não me bastar. estava em mim, não nas outras pessoas, a solução. gratidão liberta…)

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vários momentos de um mesmo (longo) dia

O fato é que, se a gente quiser, cada dia é um aprendizado.

Hoje ouvi, num momento, que não deveríamos nos comover com os pacientes.

Instantes depois, deu entrada a senhora G., encaminhada para que a traqueostomia fosse recolocada – aparentemente, a cuidadora tirou do lugar sem querer, ao tentar limpá-la.

Felizmente, por um lado, não foi muito grande a dificuldade para arrumar. Mas a dona G. demonstrava-se agitada. Quando lhe aspiraram a traqueo, agitou-se na maca, com lágrimas nos olhos e as mãos no ar, trêmulas.

Eu me aproximei e segurei sua mão, e essa foi, talvez, a melhor coisa que fiz no dia inteiro. Ela apertou minha mão de volta; e me encheu de uma sensação de plenitude.

Uma lição sobre as coisas que realmente importam nessa vida

sobre como lido com minha (im)paciência

Sou uma pessoa imediatista. Às vezes defeito, às vezes qualidade, é uma característica que assumo totalmente. Faço e falo (muitas) coisas por impulsividade das quais me arrependo, mas também sou muito produtiva – quando é pra fazer, eu faço logo, e se depender só de mim faço acontecer imediatamente.

É uma característica tão Paula, que meus pesadelos recorrentes são os que eu tenho de chegar em determinado local ou fazer algo e não consigo, por coisas que atravessam meu caminho. A angústia, nos meus sonhos, é que busco desesperadamente um desfecho que não chega nunca. E tenho sonhos assim toda semana, pelo menos uma vez. 

Semana que vem eu tenho prova. Adoro estudar, mas não com o propósito de tirar determinada nota com base no preenchimento de questões com data pré-fixada. Os dias imediatamente anteriores à prova são torturantes, porque tudo o que quero é fazer essa merda logo de uma vez e me livrar disso.

Eu amo demais o dia-a-dia que a faculdade me proporciona; amo os pacientes, a rotina de hospital-consultório-PS-plantões-etc. Mas a vida acadêmica me mata. Ter de sentar aqui e estudar coisas por obrigação, e não por prazer, me mata. Mas, pior do que isso, ter de passar a semana estudando e pensando na prova já encheu o saco. Mais de 5 anos nessa, sabe? Cansa. E, nessas horas, eu só queria me formar logo!

Mas não há outra maneira, reconheço isso. Então, para lidar com minha impaciência. desenvolvi a capacidade de não pensar adiante. Se eu começar a pensar, fico doida, querendo tudo logo. Só que não posso agir desse jeito, então eu eduquei meu cérebro a jamais adiantar coisas. 

É por isso que eu evito pensar no dia da formatura. Evito de imaginá-lo acontecendo; seria insuportável viver nessa expectativa. E faço o mesmo com coisas de menor escala, como as provas. Evito imaginar a prova ocorrendo até que eu esteja lá sentada e isso esteja realmente acontecendo. 

E também arrumo coisas que me façam fixar no momento em que estou, pra não ficar irritada com a lentidão com a qual as coisas acontecem na vida. Aí, por exemplo, eu visto minha roupa quentinha e fuleira num dia friozinho de inverno, como hoje, com uma garrafa cheia de café, e estudo. Concentro-me no momento porque é muito gostoso e confortável vestir minha roupa quentinha fuleira bebendo meu café fumegante e escrevendo com minha caneta ponta fina favorita. Depois que o estudo engrena, a sensação de absorver conhecimento também é ótima, e me deixa empolgada. 

Como dizia Edith Frank, “a arte de viver”…

as três fases do (meu?) entendimento

1) A ignorância:

Na ignorância, você não percebe uma porção de coisas sobre o mundo ao seu redor. Quase todo mundo vive essa fase em algum momento da vida, nem que seja ao longo da infância. Há quem diga que “a ignorância é uma benção”, já que muitos ignorantes vivem num estado de contentamento leve e bobo. Como não percebem que a vida é uma bosta, pensam que a vida é linda. Tocam suas vidas sem sair da bolha, fazem comentários vazios e sem embasamento, não conseguem enxergar a um palmo de distância deles mesmos. A ignorância resulta do egocentrismo, afinal, quando o que importa é o mundo ao meu redor, eu não saio do lugar pra procurar por mais. Se me contento com o que tenho, pouco importa o resto.

Mas, calma, isso não é uma crítica. Como disse, todo ser humano vive sua fase de narcisismo, nem que seja na infância. E, claro, há pessoas com acesso realmente limitado à informação, e que não vive na ignorância por egoísmo.

 

2) A indignação:

Em algum momento da vida, você se dá conta de dois fatos que mudam tudo:

– Existe mais no mundo do que o que você conheceu até o momento;

– A vida não está tão boa assim pra você, que foi colocado numa caixinha apertada cheia de expectativas; e muito menos está para pessoas que tem ainda menos recursos que os que você tem.

Triste fase. Quando começa a conhecer o mundo, é impossível não ficar muito indignado e muito puto. Quando conhece situações sociais precárias, quando começa a estudar os movimentos políticos, quando começa a estudar história por interesse, e não por te obrigarem na escola (e com senso crítico, aliás), quando começa a lidar com movimentos sociais (feminismo, movimento LGBT, por exemplo), e as vendas que te colocam nos nossos olhos desde sempre começam a cair… Dá raiva do que te fizeram. Dá raiva de não ter compreendido antes. Dá raiva, também, de quem continua oprimindo, julgando, vivendo dentro da caixinha. Você se dá conta de que muita gente vive na ignorância, e que a ignorância dos seres humanos faz com que mutuamente se prejudiquem, firam, e que julguem uns aos outros injustamente.

Você se dá conta de que, se o mundo é uma bosta, em grande parte ele é uma bosta por causa da ignorância das pessoas que vivem nele.

É uma fase triste, essa. Você também se sente sozinho em suas causas, já que ninguém mais parece se importar. Você ensaia gritar e se revoltar, você discorda do que todo mundo diz, fica irritado com o senso comum e os argumentos vazios… Mas, infelizmente, na maior parte das vezes você não será entendido ou mesmo levado à sério. Sendo mulher, corre-se ainda o risco de ser chamada de pitizenta, mimimi ou “feminazi” (isso aí – comparam a importância que você dá aos seus iguais e o seu amor a uma causa ao nazismo).

 

3) O lúdico:

Com o tempo, você se conforma. Compreende que, infelizmente, as pessoas não são mesmo ensinadas a raciocinar. Não se pode culpá-las inteiramente por isso. Embora ainda se irrite vez ou outra, que ninguém tem sangue de barata, e embora continue a se manifestar, muitos dos comentários ignorantes que antes te irritavam tornam-se bastante lúdicos. Você ri, que é o que tem. Também começa a aprender quando vale a pena entrar numa discussão e quando não.

Já habituado aos comentários a seu respeito (pois, se você realmente viveu a coisa toda, a essa altura já foi tachado de chato por uma porção de gente) você deixa de perder tempo se preocupando com o que vão pensar de você – e continua investindo seu tempo em viver ativamente e a cada momento sua militância. Até porque, agora, também já entendeu que simplesmente não importa. Seu pessoal passa a ser o seu político. O que importa é que você se sinta livre.

Você percebe que consegue mudar algo da realidade ao seu redor. Que algumas pessoas também compreendem, também passam a se sentir livres, também vivem o processo todo – e essa é uma sensação ótima, a de transformar.

E, nessa linda fase lúdica, você cresce e se sente ainda mais livre. Pois somente a informação liberta. Você compreende que tem um universo de possibilidades. Você aprende a pensar fora da caixinha. Você se torna sedento por conhecer, ler, entender, estudar. Agora, pensar de forma crítica e buscar informações confiáveis antes de julgar torna-se quase um hábito. Você aprende sobre paciência, tolerância e amor. Você se torna muitíssimo aberto a novas opiniões, especialmente quando nota que são bem embasadas. Discussões construtivas, reflexivas e não agressivas se tornam um grande prazer.

 

Você descobre um novo jeito de ser feliz e de ver leveza na vida. Você passa a discordar de quem diz que a ignorância é uma benção – ainda que os entenda…

O mundo é grande e é fascinante!

sobre minha vida e seus fragmentos

Minha vida é uma mistura de muitas coisas e pessoas incríveis e apaixonantes. Minhas pessoas e coisas me encantam e me fazem felicíssima. Essa é a linda parte da história.

A parte não tão boa – mas que pensando bem, torna tudo mais intenso e emocionante – é que elas estão divididas em (no mínimo, pra simplificar) três cidades diferentes.

 

E é assim que são as coisas: estou sempre meio dividida. Não há muita constância e nada é muito previsível. E todas requerem tempo, dedicação e amor. Por isso é que tive de aprender a me concentrar e me prender com toda minha energia em cada pequeno momento; em estar presente, com o máximo de concentração, nas experiências pelas quais passo a cada instante (até nas mais insignificantes). Pra não cair na armadilha de viver esperando. De viver de expectativas. E aí não conseguir curtir nada.

 

E foi assim que eu resolvi gostar muito disso. Pois a verdade é que há uma grande tendência a  não apenas continuar no meu futuro, como também se tornar maior!

satisfação de um dia produtivo

Hoje eu passei, entre a insônia e as horas de fila no Detran, umas 10 fases do candy crush.

Eu fui a uma consulta médica acompanhando a irmã pirralha e aprendi coisas (admito: saudades da minha medicina amada).

Depois levei muitas horas pra renovar minha CNH num calor do cacete (desculpem o palavreado, mas não há expressão melhor pra definir o calor em Joinville hoje) que ar condicionado nenhum vencia, de pé na maior parte das filas.

Cheguei viva e bem humorada em casa às 16:30h e me dei conta de que não como desde ontem (esqueci de comer).

Ainda fiz coisas do TCC.

 

Mas se você me perguntar, a maior satisfação do dia até o momento foi o orgulho que senti de mim mesma por não me irritar com as filas e com as coisas que deram errado das 10h às 16:00h, tempo que levei pra conseguir completar a saga da carteira de motorista. Quase comecei a pensar em como somos mesmo um povo manada, que fica de pé sendo jogado de fila em fila por tanto tempo pra uma coisa imbecil como entregar documentos e cópias de documentos e tirar fotos e fazer um exame médico de merda (não ando muito sutil, né? mals) e ainda pagar por isso uma taxa de 150 pilas, e sobre como se nos revoltássemos poderíamos mudar isso, mas me contive.

Acho que Dona Paciência fez as pazes comigo. Tomara que dure um pouquinho mais até a próxima briga!

cada vez mais perto

Último final de semana de estudos antes do fim do oitavo período (mais um sábado a noite sabendo que a maioria das pessoas da minha idade está se divertindo enquanto eu estudo – já estou acostumada, no entanto). Os dias que estão por vir serão maravilhosos – as viagens, o internato, o aprendizado, os pacientes, os projetos sociais. Finalmente começarei a me tornar, realmente, não apenas uma médica, mas a médica que sempre sonhei ser (meu coração palpita e sou tomada de uma alegria gigantesca só de pensar!).

 

E finalmente 2013 começa a revelar o que tem de melhor pra mim. Um ano determinante na minha vida. Um ano em que eu caminhei a passos largos (ainda caminho, cada vez mais confiante e segura) para me tornar a pessoa que quero ser. Eu tive tanto medo quando ele começou! Sabia de muitas coisas que teria de passar e estava assustada. Mas foi assim que descobri que tenho a força e a capacidade para ser quem quero ser. E isso ninguém, nunca mais, tira de mim!

A felicidade que me preenche agora é daquelas que dificilmente se deixará abater por qualquer tipo de falta de esperança.

das partidas e dos vazios

Quando eu era criança, tinha uma não-aceitação de algumas coisas.

Por exemplo, eu ficava muito triste ao ver um dia daquelas meus favoritos (os frios, de céu azul sem nuvens e muito vento) ir embora; queria fazer com que ele durasse para sempre, e tentava a todo custo fazê-lo ficar, nem que fosse como parte de mim, de minha história. Era o mesmo com lugares que eu achasse bonitos: nunca queria ir embora, ou então queria passar neles um momento que os fizesse eternos em mim. Momentos significativos.

Eu cresci com essa coisinha me cutucando.

Ultimamente, no entanto, tenho aprendido da beleza do desprendimento. Do saber que as coisas vão, algumas voltam, outras vem no lugar das que foram pra sempre. Às vezes nada vem no lugar e tudo bem também: vazio é bom, faz bem, e é até bonito. Só não se agrada do vazio quem não se preenche (ou coisa assim)

Tenho me agradado imensamente dos meus vazios, das idas e vindas, do movimento todo. Tenho aceitado as coisas bonitas que passam e que isso faz parte da beleza delas, e as torna ainda mais lindas e preciosas.

O vazio tem me ajudado a lidar comigo mesma

daquela felicidade

Hoje eu resolvi sair pra caminhar na praia com muita calma. Saí de casa com uma latinha de Coca, passei na padaria e comprei pães de queijo quentinhos, e fui a passos lentos e pensativos. Resolvi que levaria o tempo que fosse necessário para encontrá-la – aquela tal de felicidade intensa e cheia de paz que tenho de me concentrar em me distrair para desfrutar.

Caminhei pelo deque e observei a paisagem à minha frente. Sentei-me logo no início para ver o mar e comer meus pães de queijo. Aí, vem um pássaro com um peixe se debatendo no bico e pousa na areia, perto de mim. O peixe, no entanto, era grande demais. Ele passou a tentar despedaça-lo, bicando-o, arremessando-o contra as pedras; porém, sem sucesso. “A felicidade exige paciência”, filosofei. Enquanto isso, outros três pássaros o cercaram, observando. Ele por fim desistiu; os outros pássaros, um a um, fizeram suas tentativas.  Por fim, a morte e sofrimento do peixe foi inútil: não serviu de alimento pra ninguém. “Também na natureza a vida é cheia de frustrações. Não tá fácil pra ninguém”, filosofei outra vez. A partir daí eu havia atingido um nível máximo de tranquilidade e capacidade de observação; quero dizer, alguém capaz de filosofar sobre a morte de um peixe está realmente desprendida das grandes preocupações da vida.

“but all that lives is born to die…”

Levantei-me e caminhei muito pausadamente, observando o movimento da água. E ouvindo o barulho das ondas nas pedras. E como o sol, ao refletir no mar, fazia com que ele parecesse cintilar. Cantarolei baixinho, absorta numa mistura de mundo-da-Paula-com-o-mundo-exterior, naquele estado em que eu trago pra mim a paisagem ao redor: “tha’s the way… ohh, that’s the way it ought to be…”

A cerca viva estava forrada de flores vermelhas e surgiu um beija-flor. Parei enquanto ele bebericava e me percebi impressionada com a cena. Também acho muito bonito, por alguma razão, o modo como as flores caíram ao redor de um banco, como quem se esparrama pelo deque de madeira mas dá licença a quem quiser sentar.

A vida é mais bonita quando a gente se concentra em se distrair, é o que eu acho. Afastava qualquer pensamento que não estivesse relacionado à beleza do que estava ao meu redor. Tudo foi lindo: caminhar pela areia e sentir o vento bagunçar o cabelo, e subir nas pedras e ver o mar e ter a sensação de infinito. E olhar par o céu e ver as nuvens tingidas de dourado pelo por do sol. E lá longe surgiu uma tartaruga, flutuando tranquila. Eu invejei sua tranquilidade por um segundo, mas no segundo seguinte agradeci por poder ser eu, naquele momento. Inspirei fundo e tinha cheiro de mar. Cheiro de mar é feliz.

Descabelada, com os pés cheios de areia e tomada por uma imensa sensação de paz e gratidão, rumei de volta para casa – pois escurecia.

É impossível ser triste ou rabugento quando se está cheio de gratidão. Eu declarei mentalmente todas as coisas pelas quais sou grata, e percebi que tenho uma vida realmente muito, muito digna de felicidade. Pois tenho uma vida completa: de pessoas, de dúvidas (ah! não são as dúvidas que nos mantém vivos, sempre em busca de alguma coisa? pois eu sou grata por todas as minhas incertezas), de frustrações (que me ensinam a ter paciência, que é o que a felicidade exige)… Tenho uma vida preenchida, de tempo e de propósito.

Já em casa, tomei um banho longo e quente e fiz uma xícara de chá de morango. E aí, claro, abri o Cecil pra estudar o caso clínico. Feliz, porém!

a dúvida

As pessoas são inacreditáveis. Começo a questionar se tenho maturidade, paciência e controle emocional suficientes pra lidar com algumas coisas.

Vamos encarar como um desafio de crescimento então, não é? Se ainda não tenho, posso aprender a ter.

Eu acho.

Outra dúvida é se vale a pena sofrer mais pra obter esse tal crescimento. Bom, no fim todos sabemos que eu acabo escolhendo o caminho mais difícil possível… Vai saber por que razão eu nunca prefiro me poupar das coisas…

Vai ver é meu Superego. Deve ser.