pois o mundo é o que é

Diálogo número 1 – o almoço

– Quantos pacientes o professor atende por dia?

– São 10. Cinco de manhã e cinco a tarde.

– Ih! Não é cansativo? Pela duração das consultas…

– Duram em torno de 40 a 50 minutos.

– Nossa…

– Não é cansativo, não. Já foi mais cansativo!

E, aqui, eu achei que ele ia dizer que já teve de atender em mais quantidade. Mas ele continuou:

– Na época em que a gente era mais novo e não tinha material interno pra trabalhar as coisas. Agora que a gente tem material ficou mais lúdico, assim.

 

Diálogo número 2 – o filme

Sabine está tentando defender Jung para Freud. Ele responde que não se pode almejar mudar completamente as pessoas:

– Ele esta tentando achar uma maneira para não termos que dizer aos nossos pacientes, “É por isso que você é do jeito que você é”. Ele quer poder dizer, “Podemos lhe mostrar aquilo que você quer se tornar.”

– Brincar de Deus, em outras palavras. Não temos o direito de agir assim. O mundo é como é. Compreender e aceitar isso é o caminho para a saúde psíquica. Que bem poderemos fazer, se o que queremos é trocar uma ilusão por outra?

 

 

Conclusão

O mundo é o que é.  Não há muito que eu possa fazer a respeito. Seria no mínimo um tanto narcisista da minha parte imaginar que eu, sozinha, pessoa tão comum, fosse capaz de transformar as coisas e as pessoas. Não sou. Vamos começar a deixar esses pesos pra trás! Não tenho a obrigação de mudar ninguém. De tornar ninguém “melhor” (tem isso?). De “converter”, convencer, transformar ninguém. Cada um que seja resultado da vida que teve. Cada um tem de lidar com si mesmo.

Afinal, “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”, como dizem por aí

 

E

Com o tempo, experiência e paciência, terei mais “material interno” para lidar com as questões que surgem no consultório, no hospital, nas visitas domiciliares, enfim… No contato com os pacientes e com a vida.

Tudo a seu tempo. Maturidade não vem rápido, nem de graça e nem com pouco esforço.

 

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grupo de apoio bobo de uma pessoa só (ou da minha loucura)

Ego:

– Oi. Meu nome é Paula.

Id e Superego:

– Oi, Paula.

Ego:

Estou há dois dias sem coçar meus olhos.

Id:

– Não entendo por que estamos fazendo isso. Coçar os olhos era bom, lembra?! A gente começava e não conseguia mais parar. Não sei pra que isso, de não coçar os olhos.

Superego:

– SÓ dois dias?! E acha muito, depois de uns 3 anos danificando seus preciosos olhos, manchando-os? Não me surpreenderia se tivesse ceratocone dentro em breve!

 

~

Não é surpreendente eu estar há dois dias sem coçar os olhos?

psicanálise

O destino de uma pulsão que acaba de brotar pode ser encontrar, ao longo de seu percurso, resistências que queiram impedir sua ação. Sob condições que ainda examinaremos mais detalhadamente, ela entra então em estado de recalque. Claro que se, em vez de uma pulsão, se tratasse da ação de um estímulo externo, a fuga teria sido a medida mais apropriada para escapar de seu raio de ação, mas, no caso de uma pulsão, tal fuga não tem serventia, pois o Eu não pode fugir de si mesmo. Em um período posterior, o sujeito perceberá que repudiar o conteúdo da pulsão baseando-se em um juízo de valor (condenação) pode ser uma providência eficaz.

 

(Freud – O Recalque, 1915)

 

Quando digo que as pessoas que julgam em demasia geralmente tem essa mesma pulsão dentro delas é geralmente nesse mecanismo que eu penso…

Que bem faria pro mundo as pessoas se conhecerem melhor. É incrível o que um pouco de aceitação pode fazer com a nossa saúde emocional!