sobre me sentir sozinha

Às vezes, sinto-me muito sozinha. 

Não costuma acontecer com frequência, mesmo que eu more com mais ninguém a não ser eu mesma e minha gata. Em geral, aliás, eu gosto demais de passar meu tempo comigo mesma.

Mas, às vezes, sinto-me terrivelmente sozinha. Não sei explicar bem; não é uma solidão do tipo “não tem ninguém comigo agora”, apenas. É uma solidão tipo “precisava que alguém estivesse do meu lado agora para perceber, sem que eu dissesse nada, que estou triste – e que me desse um abraço e olhasse pela janela pensando nas melancolias da vida comigo”. Mais ou menos isso.

Como disse, não costuma acontecer com frequência. 

E nem é, na verdade, um sentimento necessariamente ruim – embora também não necessariamente muito agradável de se ter. É apenas uma prova da minha pequenez perante a vida. Sou tão pequenininha e insignificante nesse Universo, que estou irremediavelmente sozinha. 

Hoje, ao olhar pra esse céu empalidecido de fim de tarde, fui subitamente esmagada por esse sentimento de solidão. Numa casa cheia de gente, vejam só vocês…

turbilhão

Às vezes as coisas vão acontecendo e te carregando, te engolindo, te sugando pro meio do caos todo. E essa foi a minha semana. A coisa, que vinha se acumulando perigosamente dentro de mim, finalmente explodiu onde não devia, hoje.

Mas a verdade é que eu não queria chegar nesse ponto, de explodir, de não conseguir controlar minha raiva. Queria descarregar alguns pesos no caminho; mas parecem tão firmemente amarrados às minhas costas que nem mesmo encontro o nó, quanto mais o desato. Tenho tido, repetidamente, pensamentos negativos, que danificam minha autoestima e minha vontade.

Eu só queria ser mais livre. Mas não sei nem por onde começar.

Eu não sei se devo pensar melhor a respeito ou parar de pensar tanto, se devo me ocupar ou parar de fazer trinta coisas ao mesmo tempo, se devo me concentrar mais ou me distrair um pouco da vida… Não sei. Queria fazer uma reforma emocional em mim mesma, mas não sei como.

 

Não consigo sozinha. Mas não sei bem nem a que recorrer.

Ai, vida… Pra que tão difícil?

limite

Não tá nada fácil. E, pra variar, nada está correspondendo às minhas expectativas (eu não deveria ter me deixado contaminar por tanta confiança.. tenho de me lembrar de voltar a manter as expectativas baixas, muito baixas, no chão, praticamente).

Tive uma noite péssima: agitada, entremeada de pesadelos, entrecortada por momentos de acordar e sentir raiva de mim, da vida e do universo, e aí ter dificuldade em voltar a dormir. E, claro: a ansiedade. A maldita ansiedade.

Acordei, obviamente, cansada. Sentindo-me exausta. Física e emocionalmente exaurida, depois de três semanas vivendo nos limites da minha capacidade emocional e intelectual. Dando 100% em cada segundo de cada dia. E, mais uma vez, aqui me encontro, sozinha no quarto, tendo de lutar contra esse monte de sentimentos ruins, e torcendo pra que isso atrapalhe o menos possível nessa prova para a qual estudo há um mês. Por favor, meu Deus, me ajude a não deixar isso me atrapalhar. Sozinha não está dando certo.

 

Finalmente cedo às emoções e deixo as lágrimas escorrerem. O dia ainda vai ser longo e não me sinto preparada. Privação emocional e de sono, a pior prova da faculdade até agora e um plantão noturno logo em seguida, pra completar, que não vai me permitir descansar de tudo isso. Será mais um dia estressante seguido de uma noite estressante, e mais uma vez terei de arrancar Paula da onde não tem pra suprir as necessidades dos outros.

A chuva lá fora me deprime ainda mais e me faz ter vontade de esconder debaixo das cobertas e fingir que nada disso existe. Desistir. Chorar até que as lágrimas carreguem embora todo esse estoque de estresse, raiva, ansiedade, toda a carga emocional negativa com a qual eu tenho dificuldade de lidar.

Estou apavorada por não estar no estado de tranquilidade e equilíbrio emocional em que eu precisava estar pra essa prova. Eu estudei tanto, e agora corro o risco de deixar tudo cair por simplesmente não conseguir manter a calma.

 

Mas eu preciso encher minhas xícaras de café, varrer tudo o que sinto (outra vez) pra debaixo do tapete e estudar.

Os outros, mais uma vez. Os outros, sempre. E eu vou ficando pelo caminho

da frustração de sempre

Há vezes em que me pego pensando em como é difícil ser uma pessoa.

Hoje é um daqueles dias. Essa avalanche de sentimentos ruins que tomou conta de mim (tudo como sempre: sem aviso, sem razões explícitas ou claras pra acontecer – inconstante, impaciente e repentino)… me deixou inquieta, pensativa e frustrada. Não conseguir lidar com meus sentimentos ruins sempre é frustrante.

Eu coloquei pra mim mesma essa expectativa, de sempre conseguir lidar e controlar as coisas. Como toda perfeccionista, é difícil  aceitar completamente que sou um ser humano, que vou ter sentimentos como esses as vezes, e que tudo bem. Vai passar, e pronto. Não consigo.

Aquela vozinha crítica me pune por não ser emocionalmente madura o suficiente, por não estar aproveitando meu tempo com coisas produtivas, por ter perdido o foco, por não estar conseguindo fazer uma autoterapia efetiva o suficiente pra compreender e arrumar toda essa bagunça (é assim que me sinto nessas horas: bagunçada).

 

Esse é o sentimento avassalador: estar tão desapontada comigo mesma. Minhas cobranças ainda me corroem. Pois a essa altura, eu já deveria ter aprendido a lidar com certas coisas da vida.

 

Tem tanta coisa que eu queria que fosse diferente. Mas infelizmente a vida não é o que idealizamos. Ela é o que é, e há pouco que se possa fazer a respeito.

 

Eu deveria estar tentando relaxar e dormir, afinal de contas um plantão de 12 horas num PS me aguarda, amanhã – e tenho de levantar às 06 horas.

Mas a cabeça não deixa. E aí aquela Paula pequenininha, fraca, insegura e indefesa vem e se senta ao meu lado

e não tenho ânimo pra mandar ela ir embora. E eu deixo ela ficar. E ela sempre me dói.

das partidas e dos vazios

Quando eu era criança, tinha uma não-aceitação de algumas coisas.

Por exemplo, eu ficava muito triste ao ver um dia daquelas meus favoritos (os frios, de céu azul sem nuvens e muito vento) ir embora; queria fazer com que ele durasse para sempre, e tentava a todo custo fazê-lo ficar, nem que fosse como parte de mim, de minha história. Era o mesmo com lugares que eu achasse bonitos: nunca queria ir embora, ou então queria passar neles um momento que os fizesse eternos em mim. Momentos significativos.

Eu cresci com essa coisinha me cutucando.

Ultimamente, no entanto, tenho aprendido da beleza do desprendimento. Do saber que as coisas vão, algumas voltam, outras vem no lugar das que foram pra sempre. Às vezes nada vem no lugar e tudo bem também: vazio é bom, faz bem, e é até bonito. Só não se agrada do vazio quem não se preenche (ou coisa assim)

Tenho me agradado imensamente dos meus vazios, das idas e vindas, do movimento todo. Tenho aceitado as coisas bonitas que passam e que isso faz parte da beleza delas, e as torna ainda mais lindas e preciosas.

O vazio tem me ajudado a lidar comigo mesma

parênteses

(se me permitem, deixarei de lado a política por enquanto – embora esteja, ainda, pensando e estudando muito a respeito)

Hoje fez um lindo dia de inverno. Saí pra caminhar.

Sair pra caminhar virou uma terapia, nos últimos tempos (vocês podem perceber pela quantidade de posts descrevendo algumas delas). É um caminhar lento, que é pra exercitar a capacidade de ver beleza nas coisas e reencontrar “aquela” felicidade, tão interior, que exige esforço e concentração. Engraçado que, com um pouco de prática, pode-se ver beleza e encontrar paz com uma porção de coisas pequenas e aparentemente bobas.

Uma das minhas partes favoritas é quando abro a porta e saio – adoro sentir o vento, que é a primeira coisa que me faz feliz nessas caminhadas. Também acho linda a forma como a natureza consegue se embrenhar no nosso cinza-feito-por-gente: plantas crescendo nas rachaduras da calçada e dos muros, subindo nas paredes; folhas caindo no chão e tomando o asfalto. Se tem uma coisa que me deixa encantada é quando passa algum carro e levanta as folhas todas, deixando-as num redemoinho de vento e pó. As pequenas belezas dessas caminhadas me distraem da vida.

Quando me distraio da vida, sinto-me como se tivesse absoluto controle sobre mim e minhas emoções. Brinco de conversar com elas e organizá-las, categorizá-las, colocá-las nos seus devidos lugares. Explicá-las, especialmente, e justificar a presença delas pra minha consciência. É bom. Volto das caminhadas me sentindo mais equilibrada, mais tranquila e mais feliz.

Hoje aproveitei pra organizar algumas coisas que andavam me entristecendo e confundindo. Mais uma vez, concluí: ainda é por amor. Do meu jeito assim meio torto, que é o único jeito que sei ser, mas ainda é amor. Perdoei-me; é impossível tomar sempre atitudes que deixem todos felizes de imediato.

Lembrete: sempre desconfiar da felicidade imediata, instantânea! A felicidade é uma construção. Lancei sob a minha alicerces muito fortes: de que a vida é cheia de surpresas e tem a mania de nos tirar aquilo a que somos apegados. No entanto, isso nos dá a incrível chance de descobrir que podemos, sim, ser felizes sem as nossas “seguranças”. Hoje sei que, não importa o que me seja tirado, terei sempre de novo a chance de redescobrir essa estranha senhora, que se faz de cega e surda – a dona Felicidade.

mal estar

De repente me invadiu essa onda incontrolável e péssima – me sinto mal pela situação toda, por ter me sujeitado a isso, por… É que teria sido melhor simplesmente ignorar (vejo agora), mas eu não consigo. Não tem jeito.

Enfim, a conclusão é apenas que, por me importar demais com as pessoas e teimar em não mudar essa característica (eu gosto dela), vou ter de simplesmente aceitar o quanto isso é arriscado. Pois me expõe. Mas, afinal, as pessoas não pedem pra eu me importar, eu o faço por que quero (vem a dúvida cruel: será que devo?). Então não posso esperar que me tratem bem. Não posso esperar é nada. E esperar alguma hostilidade vez ou outra também não seria exagero – assim as coisas são… Talvez eu nem devesse… Ai, não sei… É tão confuso, tão difícil saber o que seria a “atitude certa”! Mas assim pode acontecer quando a gente dá a cara pra bater. Não é culpa de ninguém. Não precisa ser culpa de ninguém. Como vivo pensando, dizendo e escrevendo, somos todos seres humanos no mesmo barco, tentando sobreviver da melhor forma possível. O sofrimento é comum a todos nós e os sentimentos nos fazem agir das formas mais improváveis.

Mas apesar dessas reflexões todas, a situação me encheu de mal estar e estou aqui, sentindo-me horrível (outra vez – achei que já tinha passado). O fato é que não consigo imaginar de que outra forma eu poderia ter reagido. De que outra forma eu poderia ter feito. Eu sei lá. É tão difícil! Que outro jeito, sabe?! Que outras justificativas ou explicações?! Não há…

É que também sou ser humano e também é difícil pra mim ser humana e sentir tanta coisa

dessas coisas pequenas que fazem a gente feliz

Meu humor continuava meio desagradável hoje, ao longo de todo dia. Eu ainda não havia descoberto a razão, mas tenho como principal palpite a tal da prova. Sinto-me a ponto de explodir, como se estudar só mais um pouco fosse tomar um espaço insuficiente, e me romper como que numa bomba, lançando ao ar quilos de letras confusas.

Mas ao fim do dia fui tomar sorvete de doce de leite em companhias agradáveis. Depois, coloquei os fones de ouvido e vim caminhando devagarzinho para casa. Olhei para cima e lá estava um céu que começava a anoitecer, meio laranjado e meio cinza, chuvoso.  O vento que soprou logo em seguida me vez fechar os olhos e sorrir.

Parei numa casa de produtos naturais, no caminho, e saí de lá com um pote de mel. Mel, para mim, tem gosto de conforto e de infância. E ao sair da loja com minha sacolinha verde, reparei que os primeiros pingos de chuva tomavam a calçada de pedras, e brilhavam à luz dos postes como se tentassem imitar estrelas.

E aí começou a tocar “Bron-yr-aur”. E eu vim pra casa, tomei meu banho quente, fiz chá de limão com mel, me enrolei numa coberta e fiquei a desfrutar da companhia de Erico Verissimo e seus personagens encantadores.

Momentos como esses me deixam a sensação de que eu posso ser feliz independente do que aconteça na minha vida. Que eu sempre vou dar um jeito de sorrir de novo.

das coisas que ainda não sei lidar e não consigo entender

Se bem que, talvez, não tenha bem o que entender, né? Só que eu fico procurando, por que… Bom, é assim que eu sou.

Fico pensando que, nessas horas, seria mais fácil ainda acreditar naquelas coisas “tudo acontece por uma razão” ou “o que tiver de ser vai ser”, “destino” – esse tipo de coisa.

Só que eu acho que não. Acho que é o que eu faço que determina as coisas. Isso dificulta um pouco o momento de lidar com arrependimentos. Não tenho um “mas o que tiver de ser vai ser” pra me apoiar. Tenho o fato: “as coisas vão acontecer conforme o que você fez; e agora, já está feito”.  Não penso que, por exemplo, Deus vá agir inclusive conforme meus erros fazendo a minha vida acontecer como ela deve ser e, portanto, vai dar tudo certo.

Não. São as coisas que eu faço. Que merda, mas são as coisas que eu faço, incluindo os erros. Que merda de novo.

E aí, ao invés de ir estudar decentemente, eu estou aqui, com o queixo apoiado numa mão, olhando para o nada e refletindo. Isso é hora de parar pra pensar, Paula?!

(como vocês devem ter percebido, hoje não dei conta de segurar o superego no cantinho onde eu o andava guardando… então vou ali estudar antes que ele me faça sentir ainda pior)

a malvada dona Fossa

Eu estava tendo uma semana e um dia excelente. Tive aula, atendi paciente, tirei pontos (desenterrei os pontos, basicamente, que estavam encobertos pelas casquinhas dos ferimentos).

E aí o dia acabou e vim para o conforto do meu lar. Aí fiz o mesmo de sempre: fui comprar meus pães quentinhos, fiz meu café, tomei meu banho relaxante, sentei-me em frente ao computador pra…

Aí a velha malvada com uma pinta na ponta do nariz, a dona Fossa, chegou subitamente perto de mim e enterrou suas garras afiadas no meu tórax. Cruel que ela é. Suas garras atravessam a pele e injetam solidão líquida, e ela se espalha rapidamente provocando sintomas de angústia, mal estar e dor no peito.

Aí nós temos dois tipos de lágrimas: as lágrimas tranquilas e conformadas, que se formam a partir da tristeza paciente; e as lágrimas inquietas e agressivas, cuja matéria prima é a negação, a revolta e a dor. A primeira categoria de lágrimas, quando escorre, neutraliza os ferimentos causados pelas garras da dona Fossa e o veneno da solidão líquida. A segunda categoria alimenta a dona Fossa e potencializa o poderoso venenoso da solidão líquida.

A minha sorte é que tenho praticado constantemente a tristeza paciente e tranquila! Então minhas lágrimas rapidamente neutralizaram a dona Fossa, e ela saiu correndo e gritando de dor, por que as lágrimas derreteram suas garras. Só ficou a dorzinha, ainda, no lugar onde as garras se enterraram antes. Mas passa rápido.